Jornal Estado de Minas

Apesar de ter a maior malha viária do país, MG receberá pacote modesto de obras

Tiago de Holanda
Apesar de ter a maior malha viária do país, Minas Gerais receberá apenas 5,71% dos empreendimentos federais com licitações a serem lançadas até março de 2014 pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit)
A autarquia planeja iniciar este mês o processo licitatório de 70 projetos de construção ou adequação de obras rodoviárias no país, segundo documento elaborado pela diretoria executiva do órgãoNa relação, apenas quatro itens para MinasO Dnit alega que são iniciativas “de grande vulto”, mas especialistas discordam.

Ainda neste mês deve ser publicada a licitação para obras no Trevão, que se estende por 2,1 quilômetros na BR-365, no entroncamento com a 153, perto de Monte Alegre de Minas, no TriânguloEm agosto, será a vez da construção de uma ponte sobre o Rio Paranaíba, na BR-153, para ligar Araporã a Itumbiara (GO)Em setembro, haverá licitação para pavimentação de 48,7 quilômetros da BR-135, em Itacarambi, no Norte de MinasA quarta e última obra prevista para o estado começará a ser licitada em novembroTrata-se da construção da variante, rodovia de 38,8 quilômetros — tamanho aproximado, já que “ainda não foi realizado o estudo de traçado”, ressalta o Dnit — que ligará Nova Era a São Gonçalo do Rio Abaixo, na Região Central, desviando o fluxo da BR-381 de João Monlevade e municípios vizinhos.

O Dnit informou, por meio da assessoria de imprensa, que essas licitações serão realizadas em regime diferenciado de contratação, ou seja, a empresa contratada será responsável pela elaboração do projeto e pela execução da obraCada processo licitatório deve durar de 60 a 90 dias.

Críticas

Professor da PUC Minas, o engenheiro de transportes Paulo Rogério da Silva Monteiro discorda da avaliação do Dnit: “Não são obras de grande vultoA BR-153 tem apenas importância regional, com trecho muito pequeno em Minas e volume de tráfego que não consideraria relevantePor sua vez, a 135 atende mais São Paulo e Goiás, corta Minas na ponta, mais para oeste de Uberaba e Uberlândia.”

Para Monteiro, a variante é o projeto mais substancial
“É o que mais importa, pois terá grande volume de tráfego e poderá diminuir os acidentes na 381O fluxo pesado será aliviado”, analisaA nova estrada cortará morros e fazendas em Nova Era, São Gonçalo do Rio Abaixo e em áreas de Itabira e João Monlevade, eliminando trechos sinuososO atual trecho voltaria a ser BR-262, sentido Espírito Santo e passando em MonlevadePara o engenheiro, há outros projetos que mereceriam mais atenção do Dnit“Um exemplo: se não houvesse melhoria de estrutura no trecho entre BH e Conselheiro Lafaiete da BR-040, como duplicação e construção de viadutos, pelo menos a sinalização e a pavimentação deveriam ser recuperadas”, aponta.

O documento elaborado pela diretoria executiva da autarquia inclui também uma lista de 73 postos de pesagem a serem reformados e 35 a serem implantados em todo o paísA relação de reformas abrange os 15 postos em atividade em Minas, mas, entre os novos, apenas dois funcionarão no estadoUm deles estará, provavelmente, no km 383 da BR-251, no sentido Montes Claros-Salinas, em Grão Mogol, no Norte do estadoO outro deve ficar no km 359 da BR-365, entre Paracatu e Patos de Minas, em Presidente Olegário, no Noroeste.

Para o engenheiro de transportes e consultor Frederico Rodrigues, o número de novos postos é insuficiente: “Além de Minas ter enorme extensão de malha viária, grande parte dos veículos trafega com carga acima do pesoDeveria haver maior fiscalização”
Rodrigues aponta prejuízos que o sobrepeso pode acarretar: “O pavimento se desgasta com mais rapidez e aumenta o risco de acidentes graves, inclusive por causa da menor capacidade de frenagem e maior poder de estrago em colisões”.

Rodovia da morte

O novo edital para duplicação da BR-381, lançado em 28 de março, já teve quatro erratasA última, publicada em 30 de abril, no Diário Oficial da União, informou o adiamento dos prazos para propostasAntes, os documentos deveriam ser recebidos entre 4 e 6 de junhoDepois a data mudou para 13 a 17 do mesmo mêsEssa é apenas mais uma protelação no conturbado processo de licitação para duplicação, essencial para reduzir o número de mortes e acidentes na estradaNo início do ano, os dois editais do projeto foram suspensos.