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Estado de Minas

Operação contra a sujeira na Pampulha

Copasa apresenta sistema que bombeia parte do esgoto, mas admite que até o fim do ano será preciso evitar que outros 8,6 milhões de litros/dia de dejetos sejam despejados na lagoa


postado em 09/05/2013 06:00 / atualizado em 09/05/2013 06:48

Prefeitura de BH planeja começar em agosto os trabalhos para a despoluição do espelho d%u2019água até 2014(foto: EDÉZIO FERREIRA/EM/D.A PRESS)
Prefeitura de BH planeja começar em agosto os trabalhos para a despoluição do espelho d%u2019água até 2014 (foto: EDÉZIO FERREIRA/EM/D.A PRESS)


Imagine três piscinas olímpicas lotadas de esgoto. Esse é o volume da podridão despejada todos os dias na Lagoa da Pampulha e também o tamanho do desafio que a Copasa se propõe a vencer até o fim do ano, evitando que mais de 8 milhões de litros de dejetos continuem a ser lançados diariamente no espelho d’água. Apresentada ontem, a Estação Elevatória de Esgoto (EEE) Pampulha – sistema que bombeia os detritos até a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Onça – integra o plano para chegar, em dezembro, a 95% do esgoto da Bacia da Pampulha coletado e tratado, mas ainda esbarra em problemas anteriores.

Embora tenha capacidade para receber 24 milhões de litros de esgoto por dia, a EEE Pampulha está operando com 11,2 milhões de litros de dejetos, enquanto  cerca de 8,6 milhões de litros vão direto para a lagoa. Uma das principais dificuldades é levar o esgoto à estação. Atualmente, cerca de 11 mil imóveis na Bacia da Pampulha, que abrange Contagem e Belo Horizonte, não contam com rede coletora ou, apesar de terem o sistema, mantêm ligações clandestinas. Para alcançar a meta, a estatal planeja instalar 75 quilômetros de rede de esgoto, concluir 37 obras de saneamento, além da remoção de 300 famílias em Contagem até o fim do ano, num total de R$ 102 milhões investimentos aplicados desde 2009. “Mas o grande problema é a população não fazer a ligação de esgoto. A Copasa não tem poder de polícia para obrigá-la a isso”, afirma o gestor da Copasa para a Meta 2014, Valter Vilela Cunha.

Depois de quase três anos em obras e em funcionamento há um mês, a EEE Pampulha começou a receber o esgoto de uma população estimada de 150 mil pessoas, o equivalente a um terço da população da bacia hidrográfica. No valor de R$ 26 milhões, a estação bombeia os dejetos dos interceptores (canos que impedem que o esgoto caia na lagoa) da margem esquerda para a margem direita da represa. Os dois lados têm um desníveis de aproximadamente 10 metros. “Dentro da estação, os resíduos são triturados e bombeados. Um sistema de filtro de carvão ativado tira 100% do odor do esgoto. Estamos captando 130 litros por segundo (l/s) de esgoto que iam para a lagoa, mas cerca de 100 l/s continuam a cair na represa”, afirma o superintendente de Tratamento de Esgoto da Copasa, Eugênio Álvares de Lima e Silva. “Finalmente, depois de tantos anos, o poder público está focando nas ações para tirar o esgoto, e não em obras paliativas. Apesar disso, hoje a condição da Pampulha é muito complicada. Há muita matéria orgânica e, mesmo com menos esgoto, a sujeira que ficou acumulada nos sedimentos é muito grande”, afirma o consultor em recursos hídricos Rafael Resck.

Pescar e navegar

Paralelamente à retirada do esgoto, a Prefeitura de Belo Horizonte planeja começar em agosto os trabalhos para o desassoreamento e o tratamento da água da lagoa, tornando o espelho d’água apto para a pesca e a prática de esportes náuticos até maio de 2014. O gerente de Monitoramento Ambiental da PBH, Weber Coutinho, afirma que em agosto começam os trabalhos para a retirada dos 800 mil metros cúbicos de sedimentos, equivalente a 100 mil caminhões. Também em três meses está previsto o início do tratamento da água, num total de R$ 120 milhões investidos. “A tecnologia será escolhida na licitação. Existem vários processos com sucesso, como a oxigenação, a biorremediação (introdução de micro-organismos) ou o sequestro de fósforo (principal responsável pela floração de algas)”, afirma Weber. “Mesmo com esse tratamento, não adianta continuar lançando esgoto na lagoa”, afirma Resck.

Presidente do Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas, do qual a Bacia da Pampulha faz parte, Rogério Sepúlveda ressalta ser preciso tratar também da poluição difusa, além do esgoto. “É preciso haver um tratamento melhor dos córregos da bacia, evitando que a sujeira alcance esses cursos d’água. A implantação de parques nas margens é uma saída e um cuidado maior com postos de gasolina, oficinas mecânicas e lava a jatos. Outro desafio grande são as vilas e favelas”, diz.


MEMÓRIA: Poluição em níveis insuportáveis
Em reportagem publicada em abril, o EM mostrou que desde quando o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) começou a medir a qualidade da Lagoa da Pampulha, há sete anos, a represa nunca esteve tão poluída quanto detectaram as últimas medições, relativas ao terceiro trimestre de 2012. Do total de amostras analisadas, 84,6% apresentavam índice de qualidade da água (IQA) ruim ou muito ruim. O parâmetro reflete a contaminação por esgoto.


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