Jornal Estado de Minas

Punição por fechar trânsito em manifestações na capital é avaliada pela Justiça

Patrícia Giudice
Manifestantes respeitaram ontem a liminar que impede o bloqueio de vias - Foto: Túlio Santos/EM/D.A Press


O desembargador Edgard Penna Amorim, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, decidiu nessa segunda-feira não aplicar, por enquanto, a multa diária de R$ 100 mil aos sindicatos que descumpriram liminar que restringe a faixa de trânsito que manifestantes podem ocupar no Centro de Belo Horizonte, durante protestosNa audiência, ele abriu vista para que representantes dos sindicatos se manifestem sobre a autuação, assim como a Prefeitura de BHSó então a punição será julgadaA liminar, expedida na semana passada, continua valendo por tempo indeterminadoOntem, cerca de 3 mil pessoas fizeram manifestação pedindo reajuste salarial, seguindo desde a Avenida Amazonas até a Afonso Pena, onde pararam em frente ao prédio da prefeituraEles permaneceram em uma faixa da via, mas ainda assim o trânsito ficou congestionado no hipercentro.


Ao fim da passeata, os servidores municipais decidiram manter a greve iniciada na última semanaSegundo o diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal (SindRede), Luiz Henrique Roberti, o movimento entende que a liminar fere o direito à manifestaçãoEstão paralisados os trabalhadores da saúde, educação, parte da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU), entre outros órgãos municipais“Queremos reajuste salarial dos servidores e melhorias nas condições de trabalhoÉ preciso mais investimentos nas políticas sociais, tanto na saúde quanto na educação”, disse

A PBH informou que aguarda apreciação sobre a aplicação da multa prevista na decisão judicial

Sustentou ainda que, das 189 escolas da rede municipal, 11 estavam paralisadas ontem, além de 13 unidades municipais de educação infantil (Umeis), das 68 existentesNa saúde, 35% dos 18 mil servidores não trabalharam ontem, segundo a prefeitura

A liminar proibindo que as manifestações ocupem todas as faixas das ruas por onde passarem foi expedida em 30 de abrilCinco dias antes, um protesto dos guardas municipais parou o Centro da cidade e parte da região hospitalarAs vias foram fechadas completamente para o trânsito de veículos, o que levou a prefeitura a recorrer à Justiça pedindo restrição do espaço em manifestações subsequentesA decisão vale para o Sindicato dos Servidores Públicos de Belo Horizonte (Sindibel), Sindicato dos Odontologistas de Minas Gerais (Somge), Associação dos Fiscais Municipais (Asfim), Associação dos Servidores da Superintendência de Limpeza Urbana (Asselurb) e SindRedeTodos eles estavam representados na passeata no Centro da capital, na tarde de ontem