Jornal Estado de Minas

Crime preocupa frequentadores da Praça da Liberdade

Adolescente de 13 anos que estava com grupo de amigos é esfaqueado após deixar a Praça da Liberdade. Moradores se dizem assustados com jovens que ocupam local e abusam de bebidas

Sara Lira Flávia Ayer Carolina Cotta
Gilson Ribeiro, pai do agredido: 'sempre peço para ele não ir à praça' - Foto: Reprodução/ TV Alterosa
O garoto A.M.R., de 13 anos, foi esfaqueado na madrugada de ontem quando saía da Praça da LiberdadeEle seguia em direção ao Centro quando um jovem, já identificado pela Polícia Militar, o abordouA vítima seria integrante da “tribo” emo, um dos grupos que frequentam o espaço durante a madrugadaA agressão, para moradores da região, era anunciadaDesde que a Savassi começou a ser reformada, em 2011, as tribos migraram para a Praça da LiberdadeLá, segundo um morador que não quis se identificar, adolescentes se encontram para ouvir música, conversar e beberO consumo exagerado de álcool faz com que guardas municipais que fazem ronda na praça tenham que levar os jovens ao hospital

Segundo o major Carlos Alves, comandante da unidade da PM responsável pela área, a briga de ontem não envolveu grupos “ideológicos” de acordo com as apurações iniciais e ocorreu na altura do número 99 da Rua GoiásO agressor, segundo ele, tinha uma rixa com o garoto e foi até ele com a intenção de esfaqueá-lo, mas não fazia parte de nenhum grupoA polícia ainda não sabe o que motivou as agressõesO jovem foi socorrido por militares e levado para o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, sentindo muitas dores e consciente
Ele passou por cirurgia e até a noite de ontem permanecia internado e seu estado de saúde considerado estável e sem risco de morte.

O pai de A., Gilson Ribeiro dos Santos, fez ontem um desabafo: “Pela idade que ele tem, não era para estar andando de noite nesses lugares”Ele considera perigoso o filho sair de madrugada, mas diz que não tem como proibir“Eu sempre peço para ele não ir, mas infelizmente eles não concordam com a gente e nem nos obedecem”, lamentou, em entrevista à TV AlterosaSegundo o pai, o adolescente se reúnem às sextas-feiras com um grupo de roqueiros na praçaO jovem contou a Gilson que recebeu uma rasteira e, quando tentou se levantar, levou a primeira facada“Ele contou que estava descendo da Praça da Liberdade para o Centro e que encontrou uma pessoa batendo em um menino que conseguiu fugirMas essa pessoa foi para o lado deles e eles tentaram correr, mas ela passou uma rasteira no meu filhoEle tentou se levantar para correr quando levou a facada nas costas”, disseO jovem disse à polícia que o agressor trajava calça jeans, blusa preta e aparentava ter 17 anosA ocorrência foi registrada na Polícia Civil como crime de lesão corporal


A praça à noite: paramoradores, caso de violência era anunciado - Foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A PressO major Carlos Alves disse que não é comum haver ocorrências de brigas na Praça da Liberdade“Ali existe a presença de muitos grupos e às vezes eles perturbam o sossegoTambém aparecem alguns usuários de maconha, mas quando são encontrados com drogas são conduzidos para o batalhãoNo entanto, brigas e confusões não são típicas na região”, sustentou o militarMas um morador disse que os conflitos são constantesDisse ainda que os jovens compram bebidas em um supermercado que fica na Rua Antônio Aleixo e colocam dentro de latas de refrigerantesA escuridão também favoreceria a atuação criminosaSegundo o próprio major, isso deixa o local mais vulnerável

Episódio preocupa frequentadores
Acostumados a frequentar a Praça da Liberdade, um grupo de adolescentes está preocupado com a violênciaIzabel Teresa da Silva, de 17 anos, quase não foi liberada pela mãe para se encontrar com os amigos no cartão turístico da cidade“Ela soube do crime e ficou com medo Expliquei que durante o dia o clima é mais tranquilo”, disseSinara Tássia Freitas de Abreu, de 19, é frequentadora da Praça da Liberdade nas noites de sexta-feira“A gente vem cantar, bater papoMuitos bebem, mas o clima sempre foi pacífico”, conta a estudante, que afirma ver com frequência policiamento até meia-noite.

Mas Larissa Brandão, de 17, defende mais policiamento“Tem muita gente bacana, mas tem muita gente mal-encarada tambémÉ um lugar agradável para encontrar os amigos, vem muito casal de namorado, mas esse crime assustouPor causa de situações como essas nossos pais podem começar a nos impedir de frequentar a praça”, lamentaPara Paula Alkmin, de 27, o lugar, que deveria ser um espaço de descanso e contemplação, acaba se tornando perigoso“Fatos como esse me fazem pensar duas vezes antes de vir à praça.”

Simara, Stephanie e Larissa: pais tentaram proibi-las de ir à praça ontem - Foto: Jair Amaral/EM/D.A Press