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Estado de Minas

Presos suspeitos de chacina em Ipatinga

Morte de jornalistas - Primeiros detidos na ação que investiga grupo de extermínio respondem por execução de adolescentes


postado em 22/04/2013 06:00 / atualizado em 22/04/2013 06:58

Mateus Parreiras
Enviado especial



Ipatinga – A força-tarefa que apura a atuação de um suposto grupo de extermínio integrado por policiais em cidades do Vale do Aço retoma suas ações nesta semana com o desafio de cumprir mais mandados de prisão e esclarecer pelo menos 23 homicídios ocorridos na região. Os primeiros presos, o médico-legista José Rafael Miranda Americano e o investigador José Cassiano Ferreira Guarda – detidos na sexta-feira em Ipatinga sob suspeita de envolvimento no grupo criminoso que também teria assassinado dois jornalistas da cidade –, são investigados pela execução de quatro adolescentes, em 2011.

Conhecido como Chacina de Revés do Belém, numa referência ao distrito em que foram encontrados os corpos de Nilson Nascimento Campos, de 17 anos, Eduardo Dias Gomes, de 16, John Enison da Silva e Felipe Andrade, de 15, o crime foi denunciado pelo jornalista Rodrigo Neto, repórter assassinado em 8 de março. Ele relacionou diretamente as execuções à ação de um esquadrão da morte formado por policiais.

A informação de que um cabo do 14º Batalhão da Polícia Militar teria sido preso anteontem não foi confirmada pela Polícia Civil. De acordo com a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, há pelo menos 20 policiais envolvidos em mais de 20 homicídios denunciados pelo repórter do Jornal Vale do Aço  Rodrigo Neto e por seu colega, o fotógrafo Walgney Carvalho, de 43, assassinado na noite do dia 14. Há suspeitas de que os dois crimes estejam ligados e de que o fotógrafo teria sido morto por saber quem poderia ter assassinado o colega.

De acordo com relatório da comissão, a Chacina de Revés do Belém ocorreu em 25 de outubro de 2011. O grupo de adolescentes perambulava pelo Centro de Ipatinga e era conhecido por vender pequenas quantidades de drogas, sobretudo pedras de crack. No dia 24 foram levados à delegacia por policiais militares, que os abordaram e encontraram com eles uma bucha de maconha, cinco pedras de crack, R$ 30 e um telefone celular. Os quatro foram ouvidos pelo delegado, mas, ao saírem do distrito, teriam atirado pedras em viaturas da Polícia Civil. Por esse motivo teriam sido mortos, como suspeitaram os delegados da época e mostraram reportagens de Rodrigo Neto.

Os corpos dos adolescentes foram encontrados em um matagal nus, com as mãos amarradas para trás das costas e com tiros nas nucas, em 30 de outubro de 2011. “Foi uma judiação o que fizeram com os meninos, a situação dos corpos deles, quando a gente foi identificar. Maldade que não se faz com ninguém. Nunca vou esquecer”, disse à equipe do Estado de Minas a arrumadeira Maria Aparecida Gomes, de 37 anos, mãe de Eduardo Dias Gomes, uma das vítimas.

A prisão dos dois policiais representou certo alívio para a família do adolescente executado. “A gente achava que não ia dar em nada (as investigações sobre a chacina). Principalmente porque diziam que tinha policiais envolvidos. Agora, quem sabe as coisas realmente possam ser resolvidas e os culpados pagarem?”, disse o pai do mesmo jovem, o medidor de marmoraria Silvanei Custódio Campos, de 46.

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