Enviado especial
Ipatinga – A força-tarefa que apura a atuação de um suposto grupo de extermínio integrado por policiais em cidades do Vale do Aço retoma suas ações nesta semana com o desafio de cumprir mais mandados de prisão e esclarecer pelo menos 23 homicídios ocorridos na região
Conhecido como Chacina de Revés do Belém, numa referência ao distrito em que foram encontrados os corpos de Nilson Nascimento Campos, de 17 anos, Eduardo Dias Gomes, de 16, John Enison da Silva e Felipe Andrade, de 15, o crime foi denunciado pelo jornalista Rodrigo Neto, repórter assassinado em 8 de marçoEle relacionou diretamente as execuções à ação de um esquadrão da morte formado por policiais.
A informação de que um cabo do 14º Batalhão da Polícia Militar teria sido preso anteontem não foi confirmada pela Polícia CivilDe acordo com a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, há pelo menos 20 policiais envolvidos em mais de 20 homicídios denunciados pelo repórter do Jornal Vale do Aço Rodrigo Neto e por seu colega, o fotógrafo Walgney Carvalho, de 43, assassinado na noite do dia 14Há suspeitas de que os dois crimes estejam ligados e de que o fotógrafo teria sido morto por saber quem poderia ter assassinado o colega.
De acordo com relatório da comissão, a Chacina de Revés do Belém ocorreu em 25 de outubro de 2011O grupo de adolescentes perambulava pelo Centro de Ipatinga e era conhecido por vender pequenas quantidades de drogas, sobretudo pedras de crackNo dia 24 foram levados à delegacia por policiais militares, que os abordaram e encontraram com eles uma bucha de maconha, cinco pedras de crack, R$ 30 e um telefone celularOs quatro foram ouvidos pelo delegado, mas, ao saírem do distrito, teriam atirado pedras em viaturas da Polícia CivilPor esse motivo teriam sido mortos, como suspeitaram os delegados da época e mostraram reportagens de Rodrigo Neto.
Os corpos dos adolescentes foram encontrados em um matagal nus, com as mãos amarradas para trás das costas e com tiros nas nucas, em 30 de outubro de 2011“Foi uma judiação o que fizeram com os meninos, a situação dos corpos deles, quando a gente foi identificar
A prisão dos dois policiais representou certo alívio para a família do adolescente executado“A gente achava que não ia dar em nada (as investigações sobre a chacina)Principalmente porque diziam que tinha policiais envolvidosAgora, quem sabe as coisas realmente possam ser resolvidas e os culpados pagarem?”, disse o pai do mesmo jovem, o medidor de marmoraria Silvanei Custódio Campos, de 46.