Jornal Estado de Minas

Uberaba

Duas professoras são demitidas e outra é afastada por maus-tratos a alunos de creche

Professora foi denunciada por deixa criança de castigo sem comer e por tratar agressivamente os alunos. Ela acabou afastada do cargo. A colega que denunciou e outra educadora da mesma turma foram demitidas porque a secretaria considerou omissão

Luana Cruz, Paulo Filgueiras, Cristiane Silva, Daniel Camargos, Mateus Parreiras, Pedro Rocha Franco, Luciane Evans, Leandro Couri
“A nossa crença é que a educação se faz numa relação afetiva
Se não existe afeto, não tem por que manter uma pessoa a frente de uma sala de aula”Essa é afirmação da secretária de educação de Uberaba, Silvana Elias da Silva Pereira, que demitiu duas professoras contratadas uma creche municipal no Bairro Chica Ferreira, e afastou uma terceira educadoraAs profissionais do Triângulo Mineiro são suspeitas de maus-tratos e omissão em casos de agressão verbal a crianças no ensino infantil

No último sábado, uma professora da creche denunciou aos pais de alunos que uma colega de trabalho estava maltratando crianças em sala de aulaEla disse que a mulher gritava com os estudantes, colocava de castigo nos cantos da sala e agia com grosseriaEla não denunciou agressão, mas o caso específico de uma criança foi parar na delegaciaOs pais, diante das informações de que menina era colocada de castigo – sem ter hora pra comer e sendo privada do convívio com outros colegas – registraram um boletim de ocorrência.

De acordo com a secretária, a professora denunciada é concursada e dava aulas desde gestões anterioresEla foi afastada nessa quinta-feira e foi instaurado processo administrativoOutras duas professoras da mesma turma, inclusive aquela que fez a denúncia, eram contratadas e acabaram exoneradasA secretaria considerou que elas foram omissas, porque conviviam com a “agressora” há 90 dias, desde o início do ano letivo, e nunca manifestaram insatisfação com o comportamento da colega de trabalho
“Essas são pessoas em que a gente não pode confiarSe você vê uma criança sofrendo maus-tratos, tem que denunciar”, afirma Pereira

A secretaria agora está juntando documentos, como o boletim de ocorrência e o relatório de uma reunião com os pais de alunos, para repassar o caso ao Ministério Público de Minas Gerais, por meio do Conselho Tutelar“Não admitimos isso, não vamos tolerar esse tipo de agressão, essas coisas esdrúxulas e inaceitáveis em qualquer processo educativo”, reforça a secretária