Jornal Estado de Minas

Padrasto é suspeito de matar enteado e simular suicídio do menino

Segundo a polícia, o homem matou a criança por estrangulamento e tentou sustentar a versão de que o garoto amarrou uma corda no pescoço e pendurou em uma árvore

Luana Cruz, Paulo Filgueiras, Cristiane Silva, Daniel Camargos, Mateus Parreiras, Pedro Rocha Franco, Luciane Evans, Leandro Couri Andréa Silva
Waldinei Junio Rodrigues, 33 anos - Foto: Euler Júnior/EM DA Press
O histórico de violência em uma família de Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, terminou em tragédiaA Polícia Civil apresentou nesta quarta-feira Waldinei Junio Rodrigues, 33 anos, suspeito de matar o enteado de 11 anos por estrangulamentoSegundo as investigações, o homem tentou simular o suicídio da criança e sustentou essa versão para se livrar da acusaçãoO garoto já sofria agressões do padrasto e da mãe, que chegou a ser denunciada no Conselho Tutelar

Waldinei e a esposa moravam juntos há sete anosNa casa no Bairro Jardim Alvorada, viviam o menino que morreu, outra enteada de 10 anos e um filho de três anos do casalDe acordo com o delegado Marcio Rocha, o assassinato ocorreu em 2010No dia do crime, Waldinei saiu de casa para levar a mulher e filho no ponto de ônibus para que fossem a uma consulta médicaAntes de sair de casa, ele já havia brigado com os enteados, advertindo sobre o comportamento deles e disse que conversariam quando ele voltasse

Segundo a polícia, ao retornar à residência, Waldinei chamou o menino para o fundo do quintal e enforcou até a morteAo perceber que a criança não reagia, ele amarrou uma corda no pescoço dele e pendurou em um árvore para simular o suicídio
A outra enteada afirmou, em depoimento, que ficou em casa com muito medo do padrasto

Waldinei ligou para esposa informando sobre a morte do menino, dizendo que encontrou o enteado pendurado na árvoreDesesperada, a mãe voltou para casa, acionou o Serviço Móvel de Atendimento de Urgência (Samu) que apenas constatou o óbitoDesde o início, a polícia desconfiou da versão de Waldinei e equipe da Delegacia de Homicídios entrou no casoEles investigaram até mesmo a participação da mãe no crime, mas foi descartada

Os investigadores constaram que o nó da corda dificilmente seria feito por uma criançaViram ainda que as lesões causadas no pescoço do menino eram incompatíveis com a versão de suicídioAlém disso, foi feita a reconstituição dos fatos e o suspeito caiu em contradição várias vezesA polícia reuniu provas, indicou Waldinei e a Justiça determinou a prisão preventiva dele

O homem foi preso em casa, surpreendido depois de anos de investigação
Waldinei foi detido no Bairro São Gabriel, na casa dos pais, local onde voltou a morar depois de se separar da esposaO casal rompeu depois que as investigações começaram a apontá-lo como autor do crimeO homem está preso no Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) São Cristóvão

Histórico

De acordo com a polícia, a família tem histórico de violência domésticaA mãe do garoto já foi denunciada ao Conselho Tutelar por agressão às criançasO menino assassinado andava com roupas longas para esconder hematomas, resultado de espancamentos que sofriaPara a polícia, os filhos viviam em ambiente familiar conturbadoO delegado contou que o garoto  era fruto de um relacionamento da mãe com o namorado da avó