Jornal Estado de Minas

Mãe e filho se reencontram depois de 31 anos separados

O garoto foi adotado quando tinha 30 dias de vida e levado para a Austrália. A polícia civil de Minas Gerais encontrou a mulher e promoveu o reencontro

João Henrique do Vale Bárbara Ferreira
Mãe e filho não conseguiram conter as lágrimas quando se abraçaram - Foto: Ramon Lisboa/EM/D.A.Press

Um reencontro emocionado, com muitos abraços, beijos e presentesFoi desta forma que o policial Anderson Gonçalves de Oliveira reencontrou a mãe biológica, Maria das Graças Gonçalves, após viverem separados depois de 31 anosO homem foi adotado quando tinha um mês de vida por um casal que o levou para a AustráliaMãe e filho foram colocados novamente frente a frente na tarde desta terça-feira no Departamento de Investigações (DI) no Bairro São Cristóvão, Região Noroeste de Belo Horizonte

A separação aconteceu em 1982, quando Maria das Graças estava com o filho na Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (FEBEM) Polícia não soube dizer se a mulher estava presa, pois naquela época o local abrigava moradores de ruas além dos infratoresA mãe deixou a unidade para procurar emprego, deixando Anderson, com um mês de vida, na FundaçãoQuando retornou, dias depois, o garoto havia sido adotado

Anderson foi levado para a Austrália onde viveu com sua família adotiva e virou detetiveCom o passar do tempo, decidiu saber quem era a sua família biológicaHá sete anos, ele veio para Belo Horizonte tentar encontrar sua mãe
O policial foi até a Febem para encontrar documentos, como não conseguiu voltou para o seu país

Nesta ano, ele conseguiu uma licença para ficar um tempo afastado do serviçoComo conheceu alguns brasileiros que tinham família na capital mineira, decidiu novamente tentar encontrar algum parentePara isso, contou com a ajuda do advogado Wellerson Duarte, de 28 anos, que é primo do homem que Anderson conheceu na AustráliaO advogado o levou até uma delegacia e as investigações começaram

Homônimos

As apurações da Polícia Civil para encontrar Maria das Graças foram difíceis devido aos vários nomes iguais ao dela “Ao todo foram três meses de investigação bastante dificultada por vários homônimos”, diz o delegado Dagoberto Alves da SilvaA mulher foi encontrada Pedra Dourada, na Zona da MataA polícia conseguiu identificá-la analisando os nomes dos pais delaAntes, chegaram a visitar outras três pessoas que poderiam ser a mãe de Anderson


O reencontro

O momento mais esperado entre mãe e filho aconteceu com um longo abraço e beijosComo se podeira imaginar, nenhum dos dois aguentou segurar as lágrimas“Eu te procurei por todos os lados e tive que me conformar com as respostas que me davam”, falou Maria das Graças, que completou“O tempo todo sentia um vazioEra como se faltasse algo Fico muito feliz em saber que ele venceu na vida e que tem orgulho da família que o criou tão bem”, disse

Anderson fala poucas palavras em portuguêsUma amiga dele, que o ajudou no reencontro, ajudou a traduzir os sentimentos do detetive“Tinha visto fotos e achei ela muito bonitaNós nos parecemos muito”, disse o homemEle, agora, quer conhecer outros parentes“Quero passar um tempo em Pedra Dourada para conhecer o restante da família”, comentou

Maria das Graças saiu da delegacia cheia de presentes que ganhou do filhoEntre os agrados estavam cremes, um álbum de fotos, e uma flor