Morando desde janeiro em uma casa alugada na Região da Pampulha, André conta que ele e a mulher foram orientados durante a primeira reunião com representantes do grupo construtor a listar os danos materiais e repassar a proposta de preço a eles“Fizemos uma estimativa com o valor do prejuízo material e moral, mas eles nunca retornaramComo temos três cães, não podíamos ir para um hotel nem para apartamento, como outras pessoas foram, então alugamos uma casaEntramos com uma ação cautelar na Justiça exigindo pelo menos o pagamento dos gastos imediatos”, contou o técnicoSegundo ele, o custo mensal com aluguel , condomínio e IPTU é de R$ 3 mil“A situação é muito delicada
Quem também promete ir à Justiça é o casal morador da casa de número 112 da Rua Itaúna, David Rodrigues Tanure e Maria de Lourdes Gomes TanureDesde o deslizamento de terra, ele contratou um advogado que vem acompanhando as negociações com a associaçãoDe acordo com Maria de Lourdes, os representantes das empreiteiras já arcaram com alguns prejuízos imediatos e pagam o valor do aluguel de um canil para onde os dois cães da família foram levados“No entanto, são lentos nas negociações e nos pagamentosAlém disso, a advogada deles passou um e-mail informando que a quantia depositada seria o suficiente para sanar todo o prejuízoTemos uma obra para fazerNossa área de lazer está cheia de trincas, toda comprometida e isolada pela Defesa Civil”, queixou-seSegundo Davi, os reparos ainda dependem da estabilização do solo e da aprovação da Defesa Civil, e como garantia ele vai entrar na Justiça para assegurar o depósito em juízo do valor referente aos custos da obra.
CONTESTAÇÃO
As reclamações dos moradores da Rua Itaúna são contestadas pela advogada Elisa Duarte, que defende os representantes do empreendimentoAlém de não ter sido considerada culpado pelo deslizamento de terra, segundo a defensora, o grupo arcou com todas as despesas de aluguel de inquilinos dos imóveis afetados, carreto e outros danos imediatos
Segundo ela, a exceção do processo de negociações é o caso do casal André e Dalila, e que o impasse teria, entre outros motivos, o fato de os reclamantes não constarem no contrato como locatários do imóvel“O contrato está em nome de um senhor Régis, que seria irmão da DalilaMas ele mesmo nunca requereu nadaNão tenho como pagar nada, porque eles não têm como provar que moravam no local”, disse, Além disso, Elisa explica que o casal não deixou telefone nem e-mail no dia da primeira reunião com as pessoas atingidas pelo deslizamento da encosta
“Em momento algum eles deram oportunidade de negociação e logo depois recebemos o processoA indenização que pedem é exorbitanteSe a Justiça entender que a associação terá de pagar, ela pagaráMas além de não ser culpada, ela sofreu um prejuízo enorme, que ainda nem pôde ser calculado”, alegouDe acordo com Elisa, especialistas estão sendo contratados para avaliar as condições do local e calcular o valor dos danos
Sem disputa no São Bento
A criação de uma comissão foi a saída para resolver o problema do desmoronamento de uma quadra de tênis que desde o dia 27 de janeiro deixou 39 famílias fora de suas residências no Bairro São Bento, na Região Centro-Sul de Belo HorizonteOs estudos de solo estão sendo feitos e um laudo provisório deve ficar pronto em duas semanas para verificar o risco de intervenções no local, que permanece isoladoUm projeto de engenharia para refazer a contenção está em vias de ser contratado, mas segundo especialistas já consultados, deverá ser diferente do existente anteriormentePara lembrar, o muro de quase 15 metros que fazia a contenção da quadra de esportes do Edifício Morigerati, no número 77 da Rua Abadessa Gertrudes Prado, cedeu sobre a parte de trás dos edifícios São Tomás de Aquino e Bela MoradaOs dois prédios ficam, respectivamente, nos números 70 e 120 da Avenida Professor Cândido Holanda, já no Bairro São Bento