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Estado de Minas

Crescem roubos a pedestres em BH

Vítimas reclamam da falta de policiamento nas ruas, onde já ocorreram 1.531 casos nos dois primeiros meses de 2013


postado em 17/03/2013 06:00 / atualizado em 17/03/2013 07:23

 

Fui assaltada e só ando com a bolsa na frente do corpo. É um desaforo. Falta é policiamento nas ruas -Tatiane Eduarda Barbosa, professora(foto: Beto Novaes/EM/D.A.Press)
Fui assaltada e só ando com a bolsa na frente do corpo. É um desaforo. Falta é policiamento nas ruas -Tatiane Eduarda Barbosa, professora (foto: Beto Novaes/EM/D.A.Press)
Passos rápidos, olhar atento, carteira com pouco dinheiro e bolsa bem junto ao corpo. A postura defensiva já faz parte da rotina de quem circula por Belo Horizonte e não quer ser alvo de assaltantes. Cuidados justificados pelas estatísticas que apontam, no ano passado, registro diário de 53 casos de roubos ou furtos a transeuntes, 19.579 no total. Somente nos dois primeiros meses de 2013 foram 1.531 ocorrências, aumento de 9% em relação ao mesmo período do ano anterior (1.407 casos). Os dados são da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds).


A professora Tatiane Eduarda Barbosa, de 35 anos, carrega sempre a bolsa na frente do corpo, maneira de se sentir mais segura. Vítima de um roubo no Centro, há cerca de um ano, ela toma mais cuidado, mas se revolta. “É um desaforo, se bobear, eles roubam a gente. Falta é policiamento nas ruas, principalmente nos bairros, onde quase não vemos um policial passar”, reclama a moradora do Bairro Camargos, Região Noroeste.

A estudante Martina Jansen, de 22, nunca foi assaltada, mas sempre tem dinheiro trocado na bolsa. Ela acredita que, assim, evita agressões ou algo pior se for vítima de um criminoso. “Levo em média R$ 50. Aprendi isso desde pequena, quando morava em São Paulo, onde a situação parece ser bem pior. A polícia não pode estar em todo lugar, então faço minha parte”.

Para o empresário Leandro de Melo, de 35, também já assaltado uma vez – ele entrou em luta corporal com o ladrão –, o fim da insegurança nas ruas passa também pela educação e assistência social aos  carentes. Ele acredita que os crimes de furtos e roubos são consequência da epidemia das drogas, principalmente o crack, que torna o usuário um potencial marginal na tentativa de sustentar o vício. Mas o empresário também reclama da ausência de policiais. “À noite e nos fins de semana a situação complica. A saída é deixar de usar o celular na rua e olhar sempre para trás”, recomenda.

Mesmo já tendo sido roubada três vezes, a professora Carmen Lúcia Silva, de 40, anda despreocupada. Ao descer na Estação Central do metrô, vinda de Contagem, na Grande BH, onde mora, ela caminhava tranquilamente com o celular em uma das mãos e a bolsa nas costas. A professora admite que poderia ter mais cuidado, mas pondera que se um criminoso tiver a intenção de atacá-la, fará isso. “É preciso mais polícia na rua, principalmente na região central. Posso sair grudada com a bolsa, mas se um bandido vier, serei obrigada a entregá-la”, avalia.

Vizinhos

Por meio da Rede de Vizinhos Protegidos, a Polícia Militar divulga dicas para que a população fique mais alerta e saiba identificar situações de risco. O capitão Harley Francisco Lopes destaca ainda que é feito acompanhamento e reforço de policiamento nos locais de reincidência de furtos e roubos identificados pelas estatísticas.

A nova gestão do Comando de Policiamento da Capital (CPC), tendo à frente a coronel Cláudia Araújo Romualdo, estuda novas estratégias de policiamento, diz o capitão. Poda de árvores e melhoria da iluminação pública são também ações para prover maior segurança pública. Ele alerta, entretanto, que a população tem que fazer sua parte.

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