Jornal Estado de Minas

BRT: uma solução em marcha lenta na capital mineira

Prometido como a salvação para o transporte público de Belo Horizonte, o BRT está com suas obras num ritmo que chama a atenção dos moradores da cidade pela sua morosidade

Daniel Camargos Marcelo da Fonseca
As obras do BRT em dois trechos: na Avenida Pedro I, viaduto pela metade e poucos operários trabalhando. Na Avenida Antônio Carlos, uma obra no meio do trânsito pesado - Foto: Leandro Couri/EM/D.A PRESS


As obras do BRT – sistema rápido de transporte por ônibus – seguem em ritmo lento em Belo HorizonteQuem passa pelas avenidas Pedro I e Antônio Carlos, principalmente, e Cristiano Machado percebe um pequeno contingente de funcionários e poucas máquinas trabalhandoA sensação é de que a cidade não tem pressa para melhorar a mobilidade e atender a demanda gerada pela Copa das Confederações neste ano e pela Copa do Mundo, no ano que vem, ao contrário do que afirma a Prefeitura


A reportagem do Estado de Minas percorreu nessa sexta-feira as três vias – Pedro I, Antônio Carlos e Cristiano MachadoNa Pedro I, a obra do BRT é anunciada pela placa, no início da avenida, em Venda NovaSe não fosse a placa, muitos poderiam percorrer vários quarteirões da avenida e duvidar que o local está em obras e que elas ficarão prontas a tempo da Copa do Mundo no próximo anoA placa informa que a verba prevista para o BRT nas avenidas Pedro I e Antônio Carlos é de R$ R$ 426,5 milhões e deixa um recado aos moradores que ficam nervosos com o trânsito pesado: “Menos tempo no trânsitoMais tempo com a família”A outra placa é sobre a duplicação da Avenida Pedro I, também em passos lentos e que chegou a ser paralisadaO valor total do investimento é R$ 588 milhões


Logo no início da Pedro I, seis funcionários estavam dentro um buraco no meio da avenida

Eram 14h de ontem e não havia nenhuma máquina em operaçãoO frentista de um posto de gasolina vizinho, Wanderson Gomes, conta o que vê todos os dias: “De vez em quando tem algum funcionário, mas está muito devagar”, informaSeguindo a Pedro I em direção ao Centro o cenário segue de abandonoO funcionário de um trailer de sanduíche, Valter de Assis, na esquina com a Rua Monte Castelo, no bairro Itapoã, reclama da lentidão das obras“Está muito devagar e, como não tem passarela, o pessoal do lado de lá da avenida não consegue passar para cá”, reclama do sumiço dos fregueses.


No local, um viaduto tem apenas as bases construídas e pedaços de ferragem se projetam sobre a avenidaA primeira movimentação de verdade é na interseção da Avenida Pedro I com o viaduto da Avenida PortugalNo local, duas retro-escavadeiras revolvem terra e depositam em um caminhãoOlhando de cima do viaduto não há trabalhadores em outras frentes e muita terra revolvidaSeguindo pela Avenida Pedro I até chegar na Avenida Antônio Carlos as obras seguem paradas

Entre o cruzamento da Avenida Santa Rosa e Antônio Abrahão Caram menos de uma dezena trabalhadores está envolvida em atividades na pista central, porém sem o auxílio de máquinas

Mais a frente, após a entrada da UFMG e antes do batalhão do Corpo de Bombeiros outros cinco trabalhadores estão presentesUm deles, quando questionado, responde à reportagem do Estado de Minas: “As obras estão paradas desde o final do anoAgora é que estão começando a fichar o pessoal de novo e montar as equipes para fazer as frentes de trabalho”Após o viaduto do Bairro São Francisco até o complexo de viadutos da Lagoinha as obras do BRT ainda não começaram

Necessidade A Responsável pela obra de duplicação da Avenida Pedro I, primeiro passo para a implantação do BRT na via, a empresa Cowan confirmou ontem que as obras de demolição nos prédios já desapropriados estão paralisadas desde o final do ano passado por ordem da PBHA construtora é a única responsável pela obra desde julho do ano passado, quando a Polícia Federal apontou irregularidades nas relações da Delta Construtora S/A – outra empresa que participava do consórcio – com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.


Entretanto, a PBH informou por meio de nota que os prédios são derrubados à medida que as obras forem avançando e haja a necessidade dos espaços que ocupam“É bom salientar que as obras estão no seu ritmo normal e as demolições vão acontecer no momento apropriado”, reforça a PBHA prefeitura informa também que o número de funcionários é definido de acordo com a “demanda do momento”.

Mais adiantada

Do alto da passarela de pedestres que liga os bairros Sagrada Família e da Graça é possível perceber o tanto que as obras da Avenida Cristiano Machado também estão devagarÀs 14h45 da tarde de ontem os poucos funcionários que estavam no local já se preparavam para ir emboraMuitas ferragens estão espalhadas pela pista central e até um leigo compreende que do estágio atual até os ônibus articulados começarem a transitar na avenida levará um longo tempo

Quem segue no sentido centro-bairro observa apenas cinco funcionários na esquina com a Avenida Silviano BrandãoDe lá até o Bairro da Graça vê-se muita terra revolvida, quase nenhuma máquinaO movimento maior é entre a passarela de pedestres do Bairro União até os viadutos em frente ao Minas ShoppingPorém, às 15h vários funcionários já se desmobilizavam e a pouca movimentação era encerradaApós um funcionário do consórcio responsável pela obra impedir que a equipe de reportagem fotografasse o local, algumas máquinas foram ligadas e a movimentação de funcionários aumentou


De acordo com a PBH, a previsão é de que todas as intervenções para os BRTs, que tenham ligação direta com o Mineirão, estejam finalizadas até o início da Copa das ConfederaçõesMas sobre o início do funcionamento do BRT a prefeitura já admite atrasosInicialmente foi marcado para junho deste ano, depois para dezembro e, agora, a PBH adiou novamente para o primeiro semestre de 2014

- Foto: Leandro Couri/EM/D.A PRESS