Ladrões que arrombavam lojas na calada da noite agora estão mais ousados e atacam até durante o dia estabelecimentos comerciais da Savassi e ameaçam proprietários, empregados e clientes com armas de fogoApenas em dezembro e no início deste ano, o Estado de Minas apurou que houve pelo menos oito ocorrências de roubos à mão armada e arrombamentos
Na madrugada de quinta-feira, a loja de roupas e acessórios femininos Zás, na Rua Tomé de Souza, foi invadida e os ladrões atearam fogo no estoque, causando prejuízo de R$ 20 milA ação dos bombeiros foi rápida e impediu que o fogo se espalhasse pela vizinhança
Por volta das 14h de 31 de dezembro, um homem armado invadiu a loja de roupas para festas Eliana Queiroz, na Avenida Getúlio Vargas, rendeu duas funcionárias e fugiu com um celular e R$ 250Na madrugada anterior, a Rétes, na Rua Inconfidentes, foi arrombada por criminosos que tentaram também arrebentar a porta da loja de calçados Ponta dos Pés, na mesma ruaNo dia 23, os ladrões só não conseguiram entrar no mesmo local porque um vizinho, Lourival Dornelas, percebeu e gritou
O próprio Lourival, dono da lanchonete Tasco Burguer, na Rua Paraíba, foi assaltado às 21h20 de 20 de dezembroUm homem armado rendeu o comerciante e quatro clientes e fugiu com R$ 1,3 mil na garupa de uma moto“O bandido colocou um revólver calibre 38 na minha cabeça e falou que era para eu ficar quieto, senão iria encher minha cabeça de bala”, disse Lourival“A PM demorou meia hora para chegar
Em 17 de dezembro, dois homens armados renderam nove funcionários da Padaria Roniê, na Rua Rio Grande do Norte“Chegaram às 5h da manhã e renderam primeiro o padeiroConforme os outros funcionários iam chegando, eles também eram rendidosTrancaram todo mundo no estoque e levaram R$ 9 mil”, reclama a dona da padaria, Priscila Andrade, lembrando que o estabelecimento já já foi arrombado cinco vezes.
Medo maior passaram os funcionários da Moto Street, na Rio Grande do NortePor volta das 9h de 7 de dezembro, três homens armados invadiram o local e 15 empregados e três clientes ficaram na mira das armasO dinheiro do caixa, três celulares e um computador portátil foram roubados“Os bandidos estão brincando de gato e rato com a polícia”, disse um funcionário
O dono da Zás, Hernane Alexandre Ribeiro, conta que os bombeiros receberam denúncia anônima às 4h50 de quinta-feira avisando do incêndio em sua loja“Furtaram um notebook, câmera fotográfica, dinheiro e todos os cheques pré-datadosDepois, colocaram fogo no estoque e no escritório que funcionam no mezanino, destruíram o computador e documentos da contabilidadeToda a mercadoria e o mobiliário foram estragados”, conta a vítima
Hernane reclama da falta de policiamento na Savassi“Revitalizaram a praça, mas não investiram na segurança públicaA gente paga impostos e vai ter que arcar também com a segurança privada, instalando equipamentos eletrônicos”, protesta.
Vendedora da loja Eliana Queiroz, Simone Vasconceloss diz estar traumatizada“Eu estava com outra vendedora e fomos ameaçadas com arma na cabeçaA imagem do ladrão não sai da minha cabeçaUm rapaz negro e de cabelo descolorido passou do outro lado da avenida e entrei em pânico achando que pudesse ser ele de novo”, conta.
Trinta PMs
O comandante da 4ª Ciada PM, major Carlos Alves, disse que a Savassi não vive caos como todo mundo pensa“Lá também não é um paraíso para viver, tem problemas de furtos e roubos como o Centro, mas prendo um indivíduo e o levo e amanhã ele está na rua de novoEntão, a solução é ter um PM em cada porta de loja? Será que o problema é o policiamento? Será que preciso de um exército na Savassi?”, afirmou o militar, ressaltando que o sistema prisional não funciona.
O major informou que a PM prende vários suspeitos e evitou crimes na Savassi“Temos 30 policiais por conta da Savassi, alguns à paisana, fazendo levantamentos”, disse Carlos AlvesSegundo ele, em dezembro, comparado ao mesmo período de 2011, houve redução de 33% da criminalidade violenta na área“A Savassi é o cartão de visita de BHOutras regiões registram dezenas de assaltos, mas se tiver um na Savassi ganha repercussãoHá crime, vandalismo e morador de rua como qualquer outra região”, alegou o oficial.