Jornal Estado de Minas

Famílias comemoram sucesso dos métodos de reprodução assistida

Sandra Kiefer
- Foto: Tulio Santos/EM/D.A Press
Com o avanço das técnicas de reprodução assistida, as mulheres já adiam o sonho da maternidade para 45 anos, 10 anos a mais que o teto definido como ideal pela medicinaNem todas elas, porém, têm a mesma sorte da atriz Solange Couto, que ano passado engravidou naturalmente, aos 54 anos, do seu terceiro filhoPara aquelas que no sonham ser mães mas ainda não encontraram o príncipe encantado, iniciam novos casamentos ou ainda investem na carreira, os especialistas em reprodução assistida recomendam o congelamento preventivo de óvulos

Há cerca de cinco anos, as tecnologias de fertilização humana quebraram a barreira da idade para a maternidade ao congelar os óvulos, o que já é feito há mais de meio século com os espermatozoides nos bancos de sêmenPara a mulher com mais de 35 anos que já tem um parceiro, recomenda-se guardar diretamente o embrião, ou seja, o óvulo já fecundado“Costumo dizer que é como fazer um seguro de veículos ou um plano de saúdeNa verdade você guarda o óvulo para não usar nunca, porque confia na gravidez espontânea”, defende Selmo Geber, da Clínica Origen

Ao contrário das mulheres, os homens podem ter filhos em qualquer idade, uma vez que a produção de espermatozoides se mantém por toda a vidaJá elas nascem com todos os óvulos, que vão sendo gastos mês a mês (com a menstruação) até a chegada da menopausa“Trata-se de uma medida de prevençãoNão adianta chegar aqui na clínica uma mulher de mais de 50 anos buscando informações sobre como engravidar
Em princípio, o procedimento vai ser impossível, porque nessa idade ela estará na menopausa”, avisa o médico

Geber cuida pessoalmente do caso de uma ‘mocinha’ de 49 anos, que vai passar este mês pela fertilização in vitro com óvulos doados por uma mulher mais jovemAntes, a paciente encarou uma bateria de exames de saúde“Indiquei a ela um cardiologista da minha confiança, que sugeriu que a paciente evitasse a gravidez de gêmeosVamos transferir apenas um embrião, atendendo a recomendação”, completa

FILHOS Grávida de sete meses, a executiva do setor joalheiro Karla Antunes, de 39 anos, está encantada com a própria barrigaHá cinco anos, apresentada por uma amiga em comum, ela conheceu seu príncipe azzurro (azul, em italiano), o executivo italiano do setor petrolífero Enzo Pasquali, de 46Desde então, os dois sonhavam ter uma família grande, em encher a casa de filhosDepois de enfrentar duas clínicas e cinco ciclos de tratamento, finalmente veio Chiara“Ela não nasceu ainda, mas já chegou trazendo o nosso futuro, a nossa semente, o melhor de nós para o mundo
Vamos criar uma família linda”, planeja a mamãe, que congelou os embriões para que a filha tenha irmãos“Quero ter pelo menos mais umQuem sabe nascem gêmeos?”, brinca, acariciando o barrigão.

Todos os meses, no dia 23, o nascimento de Pedrinho, hoje com 9 meses, é comemorado com bolo de aniversário, balões, padrinhos e presentes“O tratamento foi tão difícil e dolorido que a vitória de ter dado certo merece uma festa por mês”, diz a fotógrafa Priscilla Pagani, de 28, casada com Walter Pagani Júnior, de 48A tradição iniciou-se com o marido, que passou a cantar Parabéns toda semana desde o dia em que o embrião foi transferido para o útero da esposaDesde o casamento, há cinco anos, os dois tentavam ter filhos, e em 2010, buscaram ajuda para compensar a baixa contagem de espermatozoides do pai e os ovários micropolicísticos da mãe

No primeiro tratamento, Priscilla engordou 10 quilos e não conseguiu engravidarNa segunda vez, com os embriões já congelados, o resultado do teste de gravidez deu positivoA partir de agora, é só festa“No meu primeiro casamento, ter filhos estava em segundo plano e nem busquei me informar sobre a baixa contagem de espermatozoidesDesta vez, como os dois queriam, descobri que nasci para ser paiNão podia passar por esta vida sem essa experiência”, conclui Walter.