Jornal Estado de Minas

Conheça histórias de quem cumpriu as promessas feitas na virada do ano

Emagrecer, abrir o próprio negócio, fazer aquela viagem sonhada há tanto tempo... Muitas pessoas se inspiram na chegada de mais um ano para fazer planos ou reafirmar desejos de mudança. O otimismo, porém, costuma ter vida curta. A maior parte das resoluções é esquecida ou abandonada no meio do caminho – às vezes, antes mesmo que se tenha tentado realizá-las. “As mudanças exigem paciência e  dedicação”, alerta a psicólogia Rosemary Rocha.  “Para mudar um hábito é preciso entender sua motivação, sua causa. A pessoa deve pensar o que faz com que ela aja de determinada forma”, completa. Apesar das desistências, há quem persevere e seja  recompensado. O Estado de Minas conta a história de quatro pessoas que levaram a sério promessas feitas no crepúsculo de 2011 e podem brindar às metas alcançadas.

"Tenho orgulho da loja. Daqui a pouco, monto uma filial" - Sônia Menezes (direita), chef que abriu uma casa de massas em sociedade com a amiga Alice (esquerda) - Foto: Juarez Rodrigues/EM/DA Press


Em paz com a balança

Fazia tempo, desde os 14 ou 15 anos de idade, que Cláudia Rezende Carvalho estava acima do peso ideal.
Há sete anos, ela passou a tentar perder o excesso, mas lhe faltava determinação. “Todo final de ano eu fazia essa promessa. Emagrecia um pouco, parava no meio do caminho e voltava a engordar”, diz. Depois de se casar, em 2010, ela ganhou oito quilos em oito meses. “Me sentia mais cansada no trabalho. Estava infeliz em tudo que eu fazia”, ressalta. Até os planos de ter um filho eram adiados.
“Tinha medo de ter complicações durante a gravidez”, enfatiza. Em meados de 2011, ela começou a se empenhar mais. Acompanhada por uma nutricionista, passou a seguir um programa de emagrecimento. O objetivo era perder entre 20 e 25 quilos. No final de 2011, havia conseguido se livrar de 10 quilos. “Aí, foi o ponto crucial. Pensei: ‘Agora, ou paro ou vou até o fim’”, conta. Ela não desistiu, e reforçou a promessa: atingiria a meta em 2012.
Em janeiro, começou a fazer musculação. Teve o apoio do marido, o administrador de empresas Tiago da Costa Carvalho, de 33 anos. “Foi um companheirão. Ele adora doce, mas não levava pra casa, nem comia na minha frente. Me levava a restaurantes que serviam pratos leves”, diz a mulher. Em novembro, a balança apontou: Cláudia havia perdido 21,7 quilos. Hoje, aos 31 anos, a fisioterapeuta e professora de pilates exibe enxutos 60 quilos. Há um mês, começou a correr. Apesar da força de vontade, é difícil se controlar. “Estou na manutenção (do peso), mas é uma fase complicada, principalmente nesta época de festas”, diz.
O esforço vale a pena. “Hoje, meu astral é outro”. A meta para 2013? “Quero continuar cuidando de mim”.



Dona do negócio

Por volta dos 20 anos de idade, Sônia Menezes começou a nutrir o desejo de ter um restaurante. Aconteceu que logo depois de concluir o ensino médio ela se casou e deu à luz a primeira de três filhas. “Precisei trabalhar muito para criar minha família”, diz. Sônia teve vários empregos, como auxiliar administrativa, motorista de transporte escolar e professora do ensino fundamental, mas o sonho não foi esquecido. Ela matriculou-se em cursos de cozinheira, saladeira e manipulação de massas. Também foi gerente de pizzaria. Não conseguia, porém, angariar dinheiro suficiente para abrir o próprio negócio. Estava a ponto de perder as esperanças.
“Pensava: ‘Estou ‘véia’ mesmo. Para que vou caçar confusão?’”, lembra. Foi no início de 2011 que Sônia decidiu “caçar confusão”. Demitiu-se do emprego em uma mineradora e, sozinha, foi recomeçar a vida nos Estados Unidos. A ideia era juntar dinheiro, e na volta ao Brasil, abrir uma casa de massas – ela é descendente de italianos. Trabalhou como cozinheira em dois restaurantes, mas a saudade apertou. Ao saber do sofrimento da amiga, a engenheira ambiental Alice Libania a chamou para voltar a BH e se ofereceu para ser sócia investidora. Sônia voltou ao Brasil em março. “Começamos a procurar consultoria. Sempre vi muitos negócios fracassarem em menos de um ano”, diz. Em 15 de dezembro, a casa de massas foi inaugurada no Bairro Estoril. O estabelecimento tem três funcionários e dois motoboys fazem entregas. No cardápio há rondeles, canelones, lasanhas, espaguetes. Alice ajuda como atendente de caixa e a chef Sônia anda de um lado para o outro na cozinha. Aos 53 anos, ela vem trabalhando 12 horas por dia. O semblante mostra cansaço, mas ela está feliz da vida. “A loja é mais do que eu imaginava ter um dia. Tenho orgulho disso”, diz. E avisa: “Daqui a pouco, monto uma filial”.

Viver de comédia

Bruno Berg é comediante desde 2008, quando passou a integrar o grupo de stand-up comedy  Queijo, comédia e cachaça. Para pagar suas contas, porém, o rapaz precisava recorrer ao diploma de arquitetura. Exerceu as duas profissões até 2009, quando optou por viver das gargalhadas da plateia. No início, a meta não foi alcançada. “Até o ano passado, deu pra me segurar com o que havia ganhado como arquiteto”, diz. Em 2011, também passou a compor o grupo Desculpa qualquer coisa e, no último dia do ano, resolveu: em 2012, passaria a se manter apenas de comédia. Bruno continuaria distante de seu objetivo, se continuasse a se apresentar apenas em bares e teatros. “Esses shows servem mais como vitrine, para divulgar o nome no mercado. A gente ganha alguma coisa, mas, tirando pessoas muito famosas da televisão, não temos como viver apenas de bilheteria”, ressalta ele, de 31 anos. No primeiro semestre deste ano, o rapaz, que se casou em abril, achou que não alcançaria a meta. “Estava tendo muitas despesas com o casamento, gastando muito para montar nossa casa”, explica. O aperto só começou a aliviar no segundo semestre. Para sorte dele, os grupos de que participava atraíram a atenção de homens de negócios. “Começamos a fazer mais shows em eventos empresariais. A gente cria um show sobre um tema proposto, como segurança no trabalho, meio ambiente”, explica. O rendimento aumentou. “Como oferecemos um serviço de criação de um material específico voltado para o que a empresa quer, conseguimos aumentar o valor médio cobrado por cada show”, conta. Ele chegou a se apresentar fora de Minas. “Fui até o Acre!”, exclama, quase incrédulo. O comediante nem pensa em voltar à arquitetura: “Não me vejo mais trabalhando com qualquer coisa que não seja comédia”.

A viagem dos sonhos

Há três anos, uma ideia passou a rondar Lara Rios Bueno: fazer um intercâmbio na Europa. Ela hesitava entre dois países: Irlanda e Inglaterra. “Queria praticar meu inglês”, explica. A viagem, porém, vinha sendo adiada. Formada em relações públicas, ela não queria abandonar o trabalho como assessora de comunicação de uma empresa de projetos agrícolas. Tampouco desejava interromper o curso de jornalismo. Depois que se formou, em dezembro do ano passado, fez uma promessa na noite de réveillon: “Até julho de 2012, vou deixar tudo organizado para fazer o intercâmbio”. Lara receava deixar para depois desse mês e não dar tempo de viajar ainda este ano. Usou o dinheiro da poupança para pagar a viagem para a Irlanda, aonde chegou em 12 de maio. Lá, frequentou um curso intensivo de quatro semanas de duração, em que aprendeu a fazer negócios se comunicando em língua inglesa. “Foi um curso bem difícil, bem melhor do que eu esperava”, diz Lara, de 23 anos. Além de enriquecer o currículo, a moça, que nunca havia ido para o exterior, concretizou o sonho de conhecer algumas das principais capitais europeias. Depois que as aulas terminaram, ela visitou Amsterdã, Londres e Paris. Amadureceu muito com a experiência. “Vivi outras culturas, conheci muita gente diferente, muitas histórias interessantes”, lembra. Em 28 de junho, voltou a Belo Horizonte. “Foi um período curto, mas muito intenso”.

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