Emagrecer, abrir o próprio negócio, fazer aquela viagem sonhada há tanto tempo... Muitas pessoas se inspiram na chegada de mais um ano para fazer planos ou reafirmar desejos de mudança. O otimismo, porém, costuma ter vida curta. A maior parte das resoluções é esquecida ou abandonada no meio do caminho – às vezes, antes mesmo que se tenha tentado realizá-las. “As mudanças exigem paciência e dedicação”, alerta a psicólogia Rosemary Rocha. “Para mudar um hábito é preciso entender sua motivação, sua causa. A pessoa deve pensar o que faz com que ela aja de determinada forma”, completa. Apesar das desistências, há quem persevere e seja recompensado. O Estado de Minas conta a história de quatro pessoas que levaram a sério promessas feitas no crepúsculo de 2011 e podem brindar às metas alcançadas.
Em paz com a balança
Dona do negócio
Por volta dos 20 anos de idade, Sônia Menezes começou a nutrir o desejo de ter um restaurante. Aconteceu que logo depois de concluir o ensino médio ela se casou e deu à luz a primeira de três filhas. “Precisei trabalhar muito para criar minha família”, diz. Sônia teve vários empregos, como auxiliar administrativa, motorista de transporte escolar e professora do ensino fundamental, mas o sonho não foi esquecido. Ela matriculou-se em cursos de cozinheira, saladeira e manipulação de massas. Também foi gerente de pizzaria. Não conseguia, porém, angariar dinheiro suficiente para abrir o próprio negócio. Estava a ponto de perder as esperanças.
Viver de comédia
Bruno Berg é comediante desde 2008, quando passou a integrar o grupo de stand-up comedy Queijo, comédia e cachaça. Para pagar suas contas, porém, o rapaz precisava recorrer ao diploma de arquitetura. Exerceu as duas profissões até 2009, quando optou por viver das gargalhadas da plateia. No início, a meta não foi alcançada. “Até o ano passado, deu pra me segurar com o que havia ganhado como arquiteto”, diz. Em 2011, também passou a compor o grupo Desculpa qualquer coisa e, no último dia do ano, resolveu: em 2012, passaria a se manter apenas de comédia. Bruno continuaria distante de seu objetivo, se continuasse a se apresentar apenas em bares e teatros. “Esses shows servem mais como vitrine, para divulgar o nome no mercado. A gente ganha alguma coisa, mas, tirando pessoas muito famosas da televisão, não temos como viver apenas de bilheteria”, ressalta ele, de 31 anos. No primeiro semestre deste ano, o rapaz, que se casou em abril, achou que não alcançaria a meta. “Estava tendo muitas despesas com o casamento, gastando muito para montar nossa casa”, explica. O aperto só começou a aliviar no segundo semestre. Para sorte dele, os grupos de que participava atraíram a atenção de homens de negócios. “Começamos a fazer mais shows em eventos empresariais. A gente cria um show sobre um tema proposto, como segurança no trabalho, meio ambiente”, explica. O rendimento aumentou. “Como oferecemos um serviço de criação de um material específico voltado para o que a empresa quer, conseguimos aumentar o valor médio cobrado por cada show”, conta. Ele chegou a se apresentar fora de Minas. “Fui até o Acre!”, exclama, quase incrédulo. O comediante nem pensa em voltar à arquitetura: “Não me vejo mais trabalhando com qualquer coisa que não seja comédia”.
A viagem dos sonhos
Há três anos, uma ideia passou a rondar Lara Rios Bueno: fazer um intercâmbio na Europa. Ela hesitava entre dois países: Irlanda e Inglaterra. “Queria praticar meu inglês”, explica. A viagem, porém, vinha sendo adiada. Formada em relações públicas, ela não queria abandonar o trabalho como assessora de comunicação de uma empresa de projetos agrícolas. Tampouco desejava interromper o curso de jornalismo. Depois que se formou, em dezembro do ano passado, fez uma promessa na noite de réveillon: “Até julho de 2012, vou deixar tudo organizado para fazer o intercâmbio”. Lara receava deixar para depois desse mês e não dar tempo de viajar ainda este ano. Usou o dinheiro da poupança para pagar a viagem para a Irlanda, aonde chegou em 12 de maio. Lá, frequentou um curso intensivo de quatro semanas de duração, em que aprendeu a fazer negócios se comunicando em língua inglesa. “Foi um curso bem difícil, bem melhor do que eu esperava”, diz Lara, de 23 anos. Além de enriquecer o currículo, a moça, que nunca havia ido para o exterior, concretizou o sonho de conhecer algumas das principais capitais europeias. Depois que as aulas terminaram, ela visitou Amsterdã, Londres e Paris. Amadureceu muito com a experiência. “Vivi outras culturas, conheci muita gente diferente, muitas histórias interessantes”, lembra. Em 28 de junho, voltou a Belo Horizonte. “Foi um período curto, mas muito intenso”..