Usando maçaricos para arrombar as máquinas ou um arsenal de guerra com bombas e dinamites para mandar os equipamentos para os ares, criminosos atacaram 274 caixas eletrônicos em todo o estado de Minas Gerais em 2012 – média que beira 23 casos por mês. Em busca de dinheiro fácil, bandidos não mediram esforços nas investidas. Nos últimos 12 meses, terminais instalados nas ruas, supermercados, postos de gasolina, hospitais, prédios públicos e em cidades pacatas do interior não escaparam dos assaltantes. A ousadia das ações, com riscos potencializados pelo uso de explosivos de alto poder de destruição, transformam o combate a essa modalidade de crime em um dos principais desafios a ser enfrentado pelas forças de segurança de Minas no próximo ano.
Leia Mais
Bandidos explodem caixa eletrônico sem conseguir levar nenhum tostãoBandidos explodem caixa eletrônico em agência da Avenida Antônio CarlosMais um caixa eletrônico é explodido na Grande BHEm janeiro, 20 suspeitos de envolvimento em ataques a caixas eletrônicos foram presos em MGBandidos roubam mais de R$ 200 mil de caixas eletrônicos no interior de Minas Criminosos tentam arrombar caixa eletrônico em posto de combustíveis da capital Criminosos usam maçarico para arrombar caixa eletrônico de mercearia em BHA Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) considerada apenas casos onde os bandidos conseguiram levar o dinheiro das máquinas. Dados do órgão contabilizados de janeiro a outubro de 2012 apontam 116 ocorrências, entre furtos e roubos. No mesmo período de 2011 foram 99 casos, e o total de ocorrências naquele ano chegou a 128 ataques.
Na última semana, o secretário de Defesa Social, Rômulo de Carvalho Ferraz admitiu que as medidas adotadas em 2012, como as fiscalizações em empresas que estocam grandes quantidades de explosivos, não foram suficientes para conter o avanço dessa modalidade de assalto, considerado o crime da moda. Bandidos que antes cometiam saidinhas de banco e roubos a casas lotéricas, por exemplo, passaram a mirar as máquinas de dinheiro. “Esse enfrentamento no comércio não foi suficiente para conter o número de ocorrências que se mantém renitente em todo o estado, sobretudo no interior”, avalia Ferraz.
A aposta agora está na criação de um núcleo de inteligência e investigação que será estruturado e comandado pela Polícia Civil. Atualmente, a Divisão de Operações Especiais (Deoesp) apoia as delegacias das áreas onde aconteceram as ocorrências.
Tipificação
O secretário anunciou também que vai pedir ajuda ao Congresso Nacional para exigir uma contrapartida dos bancos em relação à segurança dos cerca de sete mil equipamentos instalados em Minas Gerais. Além disso, Rômulo vai sugerir mudança na legislação criando a tipificação de “explosão de caixa eletrônico” como crime. Atualmente, os ataques são considerados furto ou roubo a bancos, e não há distinção se a ação foi praticada com uso de explosivos.
Levantamentos feitos pelas forças de segurança nos últimos meses, segundo Rômulo Ferraz, já trazem características de como os crimes foram cometidos em Minas. As informações serão usadas para tentar frear os atentados .
R$ 300
É quanto custa em média
uma unidade de banana de dinamite no mercado ilegal
Medidas não reduziram ataques
As explosões ao longo do ano levaram a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) a criar uma estratégia para tentar barrar a onda de ataques. O serviços de inteligência das polícias Militar e Civil, Exército, Ministério Público e Secretaria da Fazenda e Prefeitura de BH se reuniram para, primeiramente, tentar barrar os desvios de explosivos. O material, usado como matéria-prima nos ataques aos caixas eletrônicos, chegava aos bandidos depois de ser roubado de pedreiras, mineradoras e empresas que armazenam artefatos.
O cerco em locais que concentraram grande quantidade de produtos controlados, no entanto, não conseguiu impedir que os ataques continuassem. Em outubro, mês das fiscalizações, levantamento feito pela reportagem apurou 13 ocorrências de roubo e furto a caixas, a maioria com explosões. Em novembro o número chegou a 15, disparando para 27 casos em dezembro.