O assalto à loja de peças e equipamentos para motocicletas na Rua Rio Grande do Norte, na Savassi, que parou o trânsito em uma região vital de Belo Horizonte, foi o ápice de uma rotina diária de crimes nos arredores, segundo moradores e frequentadores da área. As ocorrências são arrombamentos de carros e pequenos roubos contra lojistas e a pessoas. Mas, para a Polícia Militar, o número de ocorrências tem caído na região de policiamento sob a responsabilidade da 4ª Companhia do 1º Batalhão, área que contempla toda a Savassi e trechos dos bairros Funcionários e de Lourdes, além de parte do Centro da capital.
Nas estatísticas da 4ª Cia estão incluídos crimes violentos, como homicídios, roubos e extorsão . A PM sustenta que o número de crimes violentos na Savassi e entorno caiu de 602 de janeiro a novembro de 2011 para 567 no mesmo período deste ano, quase dois registros por dia. A corporação informa que a maioria das ocorrências são roubos e admite que o grande gargalo são ataques a pedestres e arrombamentos de veículos.
INSEGURANÇA Em frente à loja assaltada, funcionários de outra revendedora de equipamentos para motos da mesma rede tentam se refazer do susto. A orientação da Polícia Militar, na hora do assalto, foi para que ficassem deitados no chão e atrás de algum objeto, pois poderiam ser atingidos por balas perdidas, em caso de troca de tiros. “Uma vez, os ladrões entraram aqui, mas não renderam ninguém. Pegaram o que queriam e foram embora. Também furtaram pneus da loja da frente. Mas nunca com armas e reféns”, afirma a vendedora Vânia Mendes, de 29, mulher de um funcionário rendido.
Sem acreditar no roteiro de terror vivenciado em plena luz do dia, Vânia diz estar amedrontada com a situação. “A cara de pau desses bandidos é tanta que eles não têm nem hora para roubar mais. Só sei que fiquei deitada no chão da loja, rezando para Nossa Senhora proteger meu marido, que estava dentro da outra empresa com os bandidos", afirma. O medo de mais episódios como o de ontem deixou insegura a consultora comercial Letícia Gontijo, de 27. “Dá uma sensação de insegurança, principalmente porque a polícia não encontrou os bandidos. Não consigo entender como, com uma estrutura tão grande, de caminhonetes, viaturas e helicópteros, não conseguiram pegar os ladrões”, salienta.
iMPUNIDADE Comandante da 4ª Companhia do 1º BPM, o major Carlos Alves afirma que as ocorrências estão diminuindo e garante que a maioria dos crimes violentos da região é de roubos. “Hoje, o grande gargalo da área são os ataques a pedestres e os arrombamentos de carros”, afirma o militar. Ele diz que enfrenta problemas devido à falta de punição adequada aos bandidos e também por problemas com moradores de rua.
O major garante que vai aumentar o policiamento ostensivo na região, com passagens frequentes de viaturas pelas ruas, para tentar inibir ações criminosas, mas também pede ajuda da população. “Muitas vezes, as pessoas desatentas são alvos dos bandidos. Não se deve deixar objeto de valor à mostra em veículos, nem estacionar em locais ermos e sempre prestar atenção ao que está ocorrendo ao redor, evitando situações que possam causar algum risco”, completa o policial..