Publicidade

Estado de Minas

Zona da Mata dá adeus à tranquilidade


postado em 24/09/2012 07:01

O hábito ainda cultivado por alguns moradores de deixar a chave na ignição do carro para uma corridinha à farmácia ou à padaria fere as recomendações da 4ª Região Integrada de Segurança Pública (Risp) da Polícia Militar, responsável pelo policiamento de vários municípios da Zona da Mata, como admite a major Kátia Moraes, chefe da assessoria de comunicação da unidade. Com base em números da corporação, ela comemora a queda de crimes violentos, como homicídios e assaltos à mão armada, mas não nega o aumento dos furtos e arrombamentos.

O crescimento desses delitos é mais um dos venenos que correm na veias das metrópoles. O consumo de drogas e a prostituição são os problemas que tornam inviável um comportamento mais relaxado em áreas públicas de Juiz de Fora, como o Parque Halfeld, às margens da Barão de Rio Branco, no Centro. O local é a área preferida de aposentados para um dedo de prosa sob o sol da manhã ou da brisa da tarde, caminhadas, jogos de cartas, dama ou xadrez. Mas é preciso ficar alerta. Amigos e companheiros de bate-papo todos dias, os aposentados Acimar Pinto Ribeiro, de 76 anos, e José Carlos da Silva, de 63, concordam que o perigo está à espreita. "Durante o dia é tranquilo, mas à noite há de tudo. É preciso segurança e, além disso, é preciso dar uma arrumada, principalmente nas calçadas", diz Acimar. "Venho conversar com os amigos, mas não completamente despreocupado", afirma José.

Uma das vítimas do aumento do número de furtos e arrobamentos na cidade é o comerciante Fernando Duque, de 49, dono de uma loja de roupas. Pela segunda vez, sua loja na Barão do Rio Branco foi atacada. Na semana passada, um homem quebrou a vidraça. O acusado, de 28 anos, foi preso pela PM, que recuperou parte da mercadoria furtada. Para o lojista, não há dúvida de que o ladrão saiu do grupo de viciados e desocupados do Parque Halfeld. "Sem dúvida foi por causa de entorpecente."

A major Kátia não nega a relação entre drogas e aumento da criminalidade. É outra semelhança com as metrópoles. "Esse é um problema do Brasil inteiro." E não fogem à regra a rebeldia e agressividade dos jovens. Os juiz-foranos estão de cabelo em pé com as batalhas travadas por grupos de garotos no Centro. São brigas marcadas via redes sociais e ocorrem em lugares como shoppings e o Largo do Riachuelo, na Barão do Rio Branco. "Só de janeiro a agosto apreendemos 740 menores envolvidos em diferentes crimes", afirma a oficial da PM.


Publicidade