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Estado de Minas NOIVAS À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS

Casal foi obrigado a dormir na fila para conseguir marcar o casamento, em abril de 2013

Padres reconhecem estresse de quem não consegue uma data para a cerimônia religiosa


postado em 22/09/2012 06:00 / atualizado em 22/09/2012 06:59

Acredite, marcar a data do casamento é também prova de amor, pela qual o dentista Raphael Ball’aqua, de 26 anos, passou com louvor. Ele e a noiva, a dentista Renata Nascimento, de 25, dormiram na porta da igreja para garantir uma vaga na Paróquia de Nossa Senhora da Consolação e Correia, no Bairro Santo Agostinho, na Região Centro-Sul de BH. Foram 10 horas de espera ansiosa para marcar a data em que vão selar a união, 6 de abril de 2013. “Nem imaginava que passaria por isso, mas pelo menos pude ver que o meu noivo era diferente e estava comigo o tempo todo. Tinha gente que estava recebendo para ficar na fila”, conta Renata.

A noite na porta da igreja é um dos reflexos da disputa para casar nas paróquias mais tradicionais da cidade, acirrada pelas reformas da Catedral da Boa Viagem e da Igreja São José, ambas no Centro. “A Boa Viagem era uma das minhas opções. Acho que as pessoas procuram as mais centrais e as mais bonitas”, afirma Renata, que já tinha fechado contratos com o salão de festas, decoração e a banda, quando finalmente conseguiu marcar o casamento. O pároco da igreja do Santo Agostinho, frei Agenor Chiarenelli, notou o aumento da procura e crê que a sobrecarga tem ocorrido nas paróquias mais centrais.


Frei Agenor, que celebra cerca de 120 casamentos ao ano, também acredita que os contratos em bufês, salões de festas e cerimoniais antes das igrejas tornam a procura mais dramática. Para evitar situações como filas ao longo da madrugada, o sistema de marcação de datas na igreja mudou recentemente. “Agora não abrimos mais a agenda em um dia específico. Para 2013, não há mais vagas, e a agenda de 2014 já está aberta, com algumas vagas preenchidas. Se continuar esse desespero, vão querer que a gente faça casamentos até de madrugada”, diz.


Pároco da Igreja de Santo Inácio de Loyola, onde as sextas-feiras e os sábados de 2013 estão todos preenchidos, o padre Fernando Lopes Gomes, que celebra uma média de cinco casamentos por semana, ainda não faz celebrações de madrugada, mas encontrou alternativa para atender os casais e há dois anos abriu horários às terças e quintas-feiras. Segundo ele, as obras na Boa Viagem e na São José interferem na demanda das outras igrejas mais centrais, porém a grande procura para casar na igreja está relacionada também a uma mudança no perfil dos noivos.


“São casais mais adultos que conseguem se planejar e, por isso, já marcam tudo com bastante antecedência. Eles também enxergam o matrimônio com mais maturidade e perseverança. A desistência de noivos que reservam data e não casam é muito pequena”, afirma padre Fernando, queridinho entre os casais. Na terça-feira da semana que vem, às 9h, a Santo Inácio de Loyola aguarda os casais interessados em marcar cerimônia em 2014, num evento que contará com degustação de salgados e doces, apresentação de corais, estandes de cerimoniais, tudo isso no salão de festas da igreja, disponível também para os casamentos. “A noiva não tem obrigação de contratar nenhum desses serviços”, ressalta.


Sem vaga

No último evento, 76 vagas foram preenchidas em apenas um dia, fora as noivas que voltaram depois para acertar a marcação. A engenheira civil Raquel Ude Braz, de 26, não imaginou que a procura seria tão grande e deixou para ir ao evento de recepção às noivas no fim da tarde, quando a data que queria – abril de 2013 – já estava ocupada. “Fiquei sabendo de gente que chegou às 4h da manhã. Em toda a organização do casamento, a parte da igreja foi, sem dúvida, a mais estressante. Sou católica e não abria mão da cerimônia religiosa”, afirma a noiva do engenheiro eletricista Ricardo Tardin, de 26.


Noivos desde junho do ano passado, eles só conseguiram resolver a pendência da igreja em maio, quando foram abertas as inscrições para a Paróquia Nossa Senhora Rainha, no Belvedere, na Região Centro-Sul, onde as vagas se esgotaram em três dias. “A minha sorte é que meus pais são dizimistas lá e a igreja dá prioridade para os frequentadores”, conta Raquel. E, para evitar mais problemas e simplificar a vida, quando o irmão dela decidiu se casar, no início do ano, Raquel logo teve a ideia de promover um casamento duplo. “Já estava tudo reservado: bufê, salão, decoração. Meu irmão ficou noivo um pouco antes de maio, aproveitamos e marcamos a mesma data e o mesmo horário para nós quatro”, conta.

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