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Estado de Minas

Morre, aos 70 anos, o cenógrafo mineiro Raul Belém Machado

Raul estudou arquitetura na UFMG, foi professor dos principais cursos de arte de Belo Horizonte e passou a maior parte de sua carreira trabalhando no Palácio das Artes


postado em 18/09/2012 09:49 / atualizado em 18/09/2012 13:46

Raul Belém Machado, nascido em Araguari, se tornou um mestre das artes cênicas de Minas(foto: Renato Weil/EM/D.A Press)
Raul Belém Machado, nascido em Araguari, se tornou um mestre das artes cênicas de Minas (foto: Renato Weil/EM/D.A Press)

Morreu nesta terça-feira, aos 70 anos, o cenógrafo mineiro Raul Belém Machado. Ele estava internado no Hospital Previdência (Ipsemg) há alguns dias para tratamento de câncer. Raul nasceu em Araguari, no Triângulo Mineiro, e estudou arquitetura na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Se tornou mestre das artes cênicas de Minas mudando o conceito de cenário e figurino com sua força produtiva. Professor dos principais cursos de arte de Belo Horizonte,  Raul entrou em cena no fim dos anos 1960 para trazer novas tendências para o Brasil.

Antes dele, as roupas para a cena vinham de casa e os móveis eram emprestados ou doados por artistas e amigos. Quando se formou em arquitetura, Raul Machado criou cenário da montagem Procura-se uma rosa, de Gláucio Gil, sob a direção de Carlos Alberto Ratton. Em seguida, ambientou espetáculo dirigido por Rogério Falabella: Geração em revolta, de John Osborne.

A partir do encontro com o Teatro Experimental (TE), de Jota Dangelo, emendou um trabalho no outro e deu projeção ao profissional de cenário e figurino no tablado nacional. O trabalho e dedicação reconhecidos em Raul estão no livro - O arquiteto da cena, lançado pela Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais, em 2009. A edição faz parte da memória do Palácio das Artes, principal palco da capital mineira, onde Raul passou a maior parte de sua carreira.

O diretor, ator e dramaturgo Pedro Paulo Cava disse que não há palavras para definir a perda com a morte de Raul. “Para mim, particularmente, é uma perda dolorosa, porque foi meu companheiro desde os anos 60. Ele começou um pouco antes de mim. É difícil perder um grande amigo e parceiro, pois fizemos tudo juntos. Para a cenografia, figurino e arquitetura mineira é um perda. É difícil até avaliar o que o Raul representava para as coisas que foram feitas nos últimos 45 anos nessa área”.

Em nota, a Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais e a Fundação Clóvis Salgado lamentaram a morte de Raul. “Dentre inúmeras e importantes contribuições para as artes, destaca-se sua atuação à frente do Centro Técnico de Produção da Fundação Clóvis Salgado (CTP), onde foi coordenador artístico e criou cenários e figurinos inovadores e marcantes para a profissionalização do teatro no Estado. Sua contribuição para a Fundação Clóvis Salgado teve amplo e inesgotável alcance.”

O governador Antonio Anastasia também se manifestou “As artes mineiras perdem um de seus grandes valores, que com criatividade e ousadia contribuiu para o desenvolvimento e reconhecimento de Minas Gerais para além de nossas montanhas. A seus familiares levo a solidariedade de todos os mineiros. Seu legado servirá para aplacar a dor de seus parentes e amigos neste momento de tristeza. Em sua arte ele viverá."

O velório de Raul será no Funeral House, na Avenida Afonso Pena, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, a partir de 14h. O sepultamento será às 16h30 no Parque Renascer Cemitério e Crematório, em Contagem.


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