Quando estava prestes a dar à luz a primeira filha, em 2007, Pollyana Ferreira acreditava que a primogênita nasceria de parto natural
Essa é uma das histórias que levaram pouco mais de 100 mulheres e homens a marchar, ontem de manhã, pela humanização do parto, na Praça da LiberdadeA Marcha pela Humanização do Parto ocorreu também em várias capitais, como São Luís, Recife, São Paulo, Florianópolis e PalmasO objetivo é reivindicar melhores condições na assistência ao parto e nascimento para todas as mulheres e bebês.
Um dos participantes foi o obstetra Hemmerson Magioni, de BH, que atua como humanista“Hoje, o Brasil é um dos países campeões mundiais em cesarianaTento caminhar por uma linha de mais respeito e informação para a mulher e o casal
Conceito
O médico gostou do que viu na marcha, mas acha válido fazer um aviso“Foi muito lindo e bacana assistir a tudo o que aconteceu com mães, mulheres grávidas e outras nãoE não adianta esperar o médicoA sociedade tem de se mobilizar, assim como as mulheres se mobilizaram no entendimento do aleitamento materno nos anos 80A informação da mulher transforma conceitos”, diz Hemmerson.
Kalu Brum, jornalista, fotógrafa e doula, foi uma das mulheres que ajudou a organizar o eventoAo fim da marcha, que deu a volta na Praça da Liberdade com cartazes, barrigas pintadas e palavras de ordem, realizou uma performance com outras duas pessoas
Durante a performance, elas convocavam as mulheres a responder “não quero não”Entre elas, a episiotomia, que Kalu luta contra“É um corte no períneo, realizado em 90% dos partos normaisÉ considerado uma mutilação vaginal e proibido em vários paísesNo Brasil é normal”, contesta Kalu.
Marcha realizada, informação divulgada, agora elas continuam na luta“Chamamos a atenção de quem passou e distribuímos folhetosA expectativa é que as mulheres passem a prestar atenção nesse processo, que é tão importante para a vida”, conclui Pollyana FerreiraAnalista de sistemas, ela também é doula e integrante do grupo Ishtar, que se define grupo de apoio à gestante e ao parto ativo – pelo respeito ao tempo de gestar, parir e amamentar.