A menos de dois anos da Copa do Mundo de 2014, a prefeitura de Belo Horizonte dá início à corrida para conseguir revitalizar aquele que promete ser o principal cartão-postal da cidade durante o campeonato de futebolFoi publicada ontem, no Diário Oficial do Município (DOM), lei que autoriza o Executivo a contrair empréstimo de US$ 75 milhões, equivalente a R$ 150 milhões, para recuperar a Lagoa da Pampulha Segundo o prefeito Marcio Lacerda (PSB), o esforço agora será de tentar incluir o recurso na programação de empréstimos do ano que vem do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID)A ressalva é de que, até ter o dinheiro em mãos, a prefeitura ainda depende de aprovação do Senado.
Em pouco mais de um ano, o poder público terá o desafio de pôr fim à degradação que se arrasta por mais de três décadas e está estampada na mancha verde que repousa sobre o espelho d’água infestado por cianobactérias – microorganismos comuns em ambientes poluídos por esgotoAfluente do Ribeirão do Onça, a Lagoa da Pampulha, que recebe esgoto de BH e Contagem, é um dos principais gargalos para a revitalização da Bacia do Rio das VelhasNo espelho d’água, são lançados dejetos de aproximadamente 90 mil pessoas, o equivalente à população de Itaúna.
Lacerda explica que os recursos serão aplicados na retirada de 750 mil metros cúbicos de sedimentos (que representa 8% da capacidade do reservatório), no tratamento bioquímico das águas e em ações de embelezamento e manutenção durante dois anos “Nossa carta-consulta já foi aprovada pelo Ministério da Fazenda, os editais para as licitações estão prontos, de forma que, assim que obtivermos os recursos, possamos começar as ações”, afirma o prefeitoA verba não inclui investimentos que já vêm sendo feitos pela Copasa, que está aplicando R$ 102 milhões em obras para retirar o esgoto da lagoa.
Redes coletoras
Segundo a companhia, a previsão é de que até dezembro de 2013 sejam implantados mais de 40 mil metros de redes coletoras, 15 mil metros de interceptores em BH e Contagem“A implantação desses empreendimentos permitirá o tratamento de 100% dos esgotos coletados em Belo Horizonte e Contagem”, informa a Copasa em notaEnquanto os trabalhos não são concluídos, uma mancha verde de cianobactérias suja a superfície da barragem, denunciando que muito ainda está por fazer“É triste ver esta situação, pois é um dos lugares que mais chamam a atenção na cidade”, diz a estudante Júlia Almeida, de 17 anos, que gosta de “pensar na vida” em frente à lagoa
O atleta Luciano dos Santos, de 41, foi levar a tia Maria José de Jesus, de 81, para conhecer a lagoa e se deparou com um cenário que o desagradou“É muita poluição que chegaSerá que eles conseguem recuperar até 2014?”, questionaO especialista em recursos hídricos Rafael Resck, cuja dissertação de mestrado teve como objeto a Lagoa da Pampulha, afirma que a limpeza da represa só ocorrerá quando a retirada dos esgotos for realidade“O foco do problema é o esgoto e finalmente essa questão começou a ser tratada”, afirma Resck, que explica o porquê da mancha verde sobre o espelho d’água“Com a seca, começa o início da proliferação das cianobactérias, conjunto de algas com espécies tóxicas, e a tendência é piorarElas exalam um cheiro ruim e contaminam outros organismos, como os peixes”, alerta.
Saiba mais
Bacia com 42 córregos
A Bacia da Pampulha tem área de 100 quilômetros quadrados e abrange os municípios de Belo Horizonte e ContagemNesse perímetro, há 42 córregos, sendo que oito deles deságuam no reservatórioA lagoa tem 10 bilhões de litros de água, capacidade que já chegou a 18 bilhões de litrosDe acordo com O último relatório do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) sobre a represa, 70% das águas tem qualidade considerada ruim ou muito ruim Estão presentes em larga escala na lagoa coliformes fecais, fósforo, manganês, entre outras substâncias tóxicas.
A Bacia da Pampulha tem área de 100 quilômetros quadrados e abrange os municípios de Belo Horizonte e ContagemNesse perímetro, há 42 córregos, sendo que oito deles deságuam no reservatórioA lagoa tem 10 bilhões de litros de água, capacidade que já chegou a 18 bilhões de litrosDe acordo com O último relatório do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) sobre a represa, 70% das águas tem qualidade considerada ruim ou muito ruim