Jornal Estado de Minas

A nova Rodovia da Morte

BR-040 ultrapassa a 381 e registra no primeiro semestre 124 mortes em 2.591 acidentes

Especialista diz que números acendem alerta, mas não mostram diagnóstico de problemas

Landercy Hemerson
Colisão mais grave na rodovia em março matou 17 operários de Ipatinga em choque entre um ônibus e um carreta perto de Felixlândia, na Região Central. Motorista do coletivo teria feito ultrapassagem irregular - Foto: Sidiney Domingos de Melo/Portal FelixlÂndia - 17/3/12


A violência nas estradas federais que cortam Minas Gerais chama a atenção para a BR-040 no primeiro semestreNúmeros da Polícia Rodoviária Federal (PRF) apontam que 124 pessoas morreram em acidentes na rodovia nos últimos seis mesesA BR-381, que sempre esteve à frente nas estatísticas da violência, registrou 119 mortesEm 2010, a luz de alerta se acendeu na BR-381 quando o número de mortes chegou a 334, quase uma por diaA PRF informou ontem que já está prevista a instalação de radares na BR-040 em direção a Brasília, principalmente a partir de Curvelo, na Região CentralEm março, uma batida entre um ônibus e uma carreta matou 17 operários na 040, perto de Felixlândia.

Os 533 quilômetros entre Belo Horizonte e Cristalina (GO) puxaram os números da violência na BR-040, que também liga Minas ao Rio de Janeiro No trecho até Goiás, foram 70 pessoas mortas, 848 feridas em 1.292 ocorrências no primeiro semestreUm número alto, comparado a igual período de 2011, com 47 mortes, 861 feridos em 1.388 acidentes

A chefe de comunicação da Polícia Rodoviária Federal em Minas, Fabrízia Nicolai, prefere não considerar que os números de acidentes, mortes e feridos sirvam como base para afirmar que a BR-040 surge como uma nova Rodovia da MorteSegundo ela, as estatísticas são importantes para traçar o plano de ação da fiscalização, mas não aponta para situações específicas que estariam resultando em ocorrências com mais mortes“Não dá para afirmar que as características atuais da rodovia favorecem o crescimento do número de mortes
A PRF não banaliza esse número e busca sua reduçãoHá vários fatores a serem considerados, mas o preponderante na causa dos acidentes ainda é o motorista.”

Prevenção

Para o professor universitário Paulo Rogério Monteiro, mestre em engenharia de transporte e trânsito, é preciso uma análise das causas e não apenas do crescimento do número de acidentes e mortes“Esses números acendem uma luz de alerta, mas não apresentam um diagnóstico dos problemas da rodovia, que apresenta características diferentes em pelo menos três trechos, que variam desde a pavimentação à área urbana ou ruralSe houve queda da violência na BR-381, é reflexo das ações preventivas que foram implantadas nos últimos anosE só conhecendo as causas efetivas desses acidentes, é possível adotar medidas eficazes”, acrescenta.

Para o encarregado de produção Weverson Vieira da Silva, o medo de viajar pela BR-040, entre BH/Brasília, vai além dos númerosNo acidente de março, ele perdeu cinco operários de sua equipe e com três dos quais teve convivência de mais de sete anos“Estava num ônibus à frente e poderia ter vindo com o pessoal no veículo que bateuDeixei o emprego 20 dias depois do acidente, pois não conseguia ficar lá pensando nos colegas, que eram como irmãosVoltei a viajar por outra empresa e, desde então, já passei pelo trecho três vezesE não vi nada de novo que pudesse aumentar a segurança dos motoristas e passageiros
Não me admira que o número de mortes tenha crescido”, disse Weverson.

Violência no asfalto

(1º semestre)

BR-040

2011 – 109 mortes e 1.697 feridos em 2.747 acidentes

2012 – 124 mortes e 1.677 feridos em 2.591 acidentes

BR-381

2011 – 149 mortes e 2.382 feridos em 4.791 acidentes

2012 – 119 mortes e 2.342 feridos em 4.930 acidentes