Um dos mais tradicionais bairros de Belo Horizonte ganhará nova roupagem
A verba chega à capital por uma emenda da bancada federal mineira: R$ 8 milhões do Ministério do Turismo e R$ 2 milhões de contrapartida do municípioAs obras devem começar no início do ano que vem, com duração prevista de pelo menos um ano, dependendo da aprovação do cronogramaO desafio é saber como evitar prejuízos aos comerciantes e transtorno às compras de cerca de 350 mil frequentadores que vão ao Barro Preto diariamente Outra preocupação é a perda de vagas nos 2,7 quilômetros de intervenção em 20 trechos de ruas.
Segundo Gina Rende, a Rua Mato Grosso será a mais atingida pelo estreitamento da via, redução no estacionamento e ampliação das calçadas, que serão niveladas e ganharão bancos e requisitos de acessibilidade, além de elevação no piso para travessiaA Rua Araguari também terá menos vagas, sobretudo no lado de embarque e desembarque de linhas de ônibus
“Será uma área de estar, como a SavassiA grande mudança será nas calçadas, que passarão a ser mais generosas, humanizadas, com iluminação compatível e bancos, tornando o ambiente mais acolhedorNão podemos fechar a rua 100% por causa dos moradores, coleta de lixo e carga e descargaHaverá, claro, paradas específicas para táxis e caminhões”, diz a secretária
O presidente da Associação Comercial do Barro Preto (Ascobap), José Paulino, afirma que o projeto atende à demanda dos comerciantes, mas está receoso com o período de obras“A moda mineira estava esquecida no Brasil e vamos valorizá-la com essa obra de revitalizaçãoMas a moda tem glamour e todo mundo quer saber como vai vender roupas com obra e poeira na porta”, questiona
Para a Fecomércio, a área de abrangência poderia ser maior, atingindo toda a extensão da Avenida Augusto de Lima
O projeto prevê melhorias na Avenida Augusto de Lima e ruas Tupis, Goitacazes, Guajajaras, Timbiras, Araguari, Ouro Preto e Mato GrossoAlém da racionalização das vagas, haverá tratamento especial nos cruzamentos da Augusto de Lima e Mato Grosso, com piso elevado e sinalização adequada para a travessia de pedestresAinda na Mato Grosso, a ideia é fazer uma área de convivência com bancos e árvoresAs grades serão retiradas e os pedestres ganharão mais espaço nas esquinasJá na Augusto de Lima, o canteiro central será recuperado e a barreira de concreto que divide a rua com a Mato Grosso será retirada, dando uma sensação de continuidade ao polo da moda
Restrições da Comunidade
Os comerciantes e empresários poderão participar da elaboração das exigências que constarão no edital, no que diz respeito principalmente à forma como a obra será executada, de uma vez ou por etapasO prefeito Marcio Lacerda acompanhou a divulgação do projeto e disse que a empresa vencedora terá que obedecer as restrições acordadas com a comunidade local Questionado sobre a possibilidade de antecipar a construção do estacionamento subterrâneo do bairro, previsto para 2015, ele disse que vai conversar com os empresários em audiências públicasO estacionamento terá cerca de 400 vagas
“Existe uma tendência mundial de tratar melhor o pedestre e o Centro precisa ser mais amigávelPrecisamos conversar para estipular o impacto da sujeira, do barulho, da dificuldade de circulação com as obras de revitalizaçãoNa Savassi, tivemos problemas com a empresa, mas desta vez as exigências estarão no edital para melhorar a qualidade dessa obra”, explica o prefeito“Também vamos aproveitar as consultas públicas da redação final do edital do estacionamento subterrâneo para discutir se há como antecipar a execução das obras.”
Para a secretária-adjunta Gina Rende, o melhor é fazer a obra de uma vez“Nosso maior problema é com o subsoloA encrenca fica com a água, esgoto, telefoniaA obra feita de uma só vez é mais curtaAcho que será mais simples que a da Savassi, que estava muito concentrada.”