Durante a abertura ontem à noite, no Sesc Paladium, no Centro da capital, do Congresso Mundial do Iclei, organização internacional que desenvolve soluções de desenvolvimento sustentável, o presidente da entidade, David Cadman, previu mudanças radicais nos âmbitos local, regional, nacional e mundialEle salientou que as cidades estão vivendo um momento de transformação em busca de alternativas para garantir a biodiversidade e a preservação do meio ambiente“Se as pessoas são o que elas comem, as cidades são o que elas consomemPor isso, precisamos levar uma vida mais inteligente no contexto da sustentabilidade”, explicou.
A solenidade contou com show de Milton Nascimento e as presenças do governador Antonio Anastasia, da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e do prefeito Marcio Lacerda, além do secretário-geral da Rede etropolis, Alan Le Saux, entre outras autoridadesA ministra lembrou que a necessidade de mudança do modelo de desenvolvimento para resolver problemas ambientais surgiu na Conferência de Estocolmo em 1972 e que, desde então, as movimentações dos países não pararam“É importante agir com consciência e reverter a ideia de que desenvolvimento sustentável envolve só a questão ambiental”, disse.
Antes da abertura oficial, várias atividades ocorreram ontemO diretor-executivo da ONG 8-80 Cities, Guilhermo Peñalosa, ministrou workshop “Transformar cidades através de projetos de espaços públicos: mobilidade sustentável e parques urbanos”.
Debates
Alguns vêm de metrópoles, outros vivem em pequenas cidadesEles falam línguas diversas, mas todos se fazem a mesma pergunta: como viver de forma mais saudável, sem danificar o meio ambiente? Prefeitos, outras autoridades municipais e especialistas vindos de 64 países participam do Congresso Mundial do Iclei, que é realizadopela primeira vez na América Latina.
O congresso tem palestras, reuniões, assembleias, workshops e outras atividades, realizadas em cinco endereços da capital mineiraEntre os palestrantes estão o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e o embaixador da França para as negociações de mudanças climáticas e coordenador executivo da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, Brice Lalonde
As discussões abrangem sete temas-chave, como “cidade eficiente no uso de recursos” e “economia urbana verde”Mais de 1,2 mil participantes se inscreveram, entre os quais 79 prefeitos
Trânsito Assim como BH, Buenos Aires sofre com o aumento exponencial da frota de carros de passeio e os consequentes engarrafamentosPara ajudar a resolver o problema, foi tomada uma medida enérgica: em 10 ruas da área central da cidade, das 10h às 18h, é proibido o trânsito de carros“Só podem táxis, veículos de transporte público e alguns outros serviços”, explica Javier Corcuera, presidente da Agência de Proteção Ambiental da capital argentina“Muita gente criticou (a proibição), mas antes havia muito mais ruídos, poluição.”
Em sua exposição, na tarde de ontem, em um encontro sobre mudanças climáticas, Corcuera mostrou outra medida para aliviar o tráfego intenso, mais familiar aos belo-horizontinosA cidade portenha criou, desde 2008, 100 quilômetros em ciclofaixas e abriu 22 estações de empréstimos de bicicletas“Hoje, 10% de todas as viagens em Buenos Aires são feitas de bicicletaMuitos jovens passaram a adotá-la”, comemoraNo início, para impedir que os carros invadissem as ciclofaixas, foi preciso separá-las da rua com blocos de concreto“Nas cidades latinas, o problema é que o automóvel se sente rei”, critica
Reciclagem
Jorge Herrera é prefeito de San Rafael, pequena cidade de 40 mil habitantes localizada no sul da Costa Rica, América Central
Depois da etapa inicial de conscientização, foi criado um centro de reciclagem e a prefeitura calcula que hoje 80% da população faz coleta seletiva de lixo“Com o centro só gastamos aproximadamente 5 mil dólares por mêsOs outros gastos se pagam com a venda do material reciclado”, diz Herrera Atualmente, um dos grandes desafios de San Rafael é descartar corretamente o lixo encanado no precário sistema de saneamento“Os resíduos não são tratados e deságuam no rioEsse é um problema encontrado em toda a América Latina”, afirma ele, que já palestrou em vários países do continente.
Assim como Minas Gerais, Joanesburgo também sofre com a mineração“As minas de ouro antigas poluíram com metais pesados algumas fontes de águaSe não remediarmos isso em dois anos, essa água pode contaminar o suprimento da cidade”, diz o prefeitoCoincidências ou não, são muitas as semelhanças entre os problemas relatados pelas prefeituras no congresso do Iclei.