Jornal Estado de Minas

Prefeitura é contra livraria e guarita em igreja da capital

Além de desativar estacionamento, prefeitura exige da Paróquia São José mais medidas para proteger patrimônio

Gustavo Werneck

Estacionamento ocupa área em volta da igreja e, segundo Patrimônio, reduz a visibilidade do templo - Foto: Juliana Flister/Esp. EM/D.A Press

A Paróquia São José terá que apresentar com urgência à Diretoria de Patrimônio da Fundação Municipal de Cultural (FMC) um cronograma de implantação de medidas de proteção a serem tomadas na igreja e seu entorno, conforme determinação do Conselho Deliberativo Municipal do Patrimônio CulturalNessa quarta-feira, o Diário Oficial do Município (DOM) publicou a Deliberação 048/2012, que traz, entre os aspectos mais polêmicos, a determinação de “retirada imediata das áreas de estacionamento existentes nas vias de acesso localizadas no jardim e juntos às fachadas do templo”, conforme o Estado de Minas publicou na semana passdaAlém do fim das 140 vagas para veículos, que geram receita mensal de quase R$ 30 mil, terão que ser removidas a Livraria Vozes e a guarita de acesso ao estacionamentoDe acordo com o DOM, são “edificações que impactam de maneira significativa o conjunto de edifícios tombados”.

O plano diretor da igreja foi aprovado pelo conselho, mas com ressalvasA paróquia terá que restaurar um muro de arrimo; fazer um estudo para relocação de antena de telefone celular; fazer revisão e manutenção das espécies arbóreas existentes no jardim; remover passagens e coberturas inadequadas; demolir dependências que atualmente se encontram em situação irregular com a Prefeitura de Belo Horizonte; retirar o asfalto e retornar com o piso de paralelepípedo, com elaboração do projeto de acessibilidade; entre outras.

Prioridade

A diretora de Patrimônio da FMC, Michele Arroyo, disse que o cronograma é prioridade máxima, a paróquia terá que apresentar o mais rápido possível“Há muitos puxadinhos feitos ao longo do tempo e inadequados ao conjunto arquitetônico, por isso terá que ser feita a requalificação do espaço”, afirmouMichele lembrou que a paróquia poderá buscar recursos por meio de uma série de mecanismos, como o programa Adote um Bem Cultural, da prefeitura; leis de incentivo; fundos do patrimônio; e transferência de direito de construção.

Segundo o vigário paroquial Flávio Leonardo Santos Campos, a elaboração do cronograma será feita nos próximos dias com apoio da Diretoria de Patrimônio“Contratamos um arquiteto para fazer o plano diretor e ele vai nos auxiliar também nesse trabalho”, disse o vigário, lembrando que buscou informações jurídicas para encaminhar este processoNa segunda-feira, os religiosos da São José recorreram à Câmara Municipal para tentar evitar o fechamento imediato do estacionamento, cuja cobrança mensal pelas vagas custeia a obra socialDurante a reunião com o presidente do Legislativo, vereador Leo Burguês, o padre Flávio foi informado de que haverá, no dia 4, na Câmara, uma audiência pública para discutir a questãoO argumento do conselho é de que o espaço interfere no conjunto arquitetônico tombado em 1991, reduzindo a visibilidade do templo, além de descaracterizar o uso original da via e comprometer a circulação de pedestres.