Jornal Estado de Minas

BH tem poucas ilhas de sossego

Mateus Parreiras
O movimento intenso de motos, caminhões fazendo entregas no comércio e ônibus se enfileirando em pontos de embarque formam a imagem que geralmente se tem da Rua Padre Pedro Pinto, uma das principais do Centro de Venda Nova
O que poucas pessoas sabem é quem mora lá enfrenta os menores índices de poluição sonora medidos pela reportagem do Estado de MinasPor volta da 0h de quinta-feira quase não havia mais tráfego na regiãoPela primeira vez, o medidor de nível de pressão sonora (MNPS) chegou a registrar índices próximos aos determinados pela Lei do Silêncio, de 45 decibéis nesse horário e dia específicosA média registrada foi de 52,9 decibéis, a mesma de uma conversa em tom normal.

Veja o mapa do barulho em BH


O pico naquela madrugada foi de 66,5 decibéis, atingido apenas quando algum dos poucos ônibus que desciam pela rua vazia precisava parar e depois arrancar, acelerando forteUm nível de ruído que fica dentro do produzido por um mixer de preparar frozens e pratos pastososAqui e ali ainda funcionavam barzinhos com muita gente bebendo cerveja e colocando música sertaneja para tocar nos jukeboxesPorém, como esses estabelecimentos se encontram em partes desabitadas da região, não incomodavam ninguém.

NEGOCIAÇÃO PROVEITOSA
Na Floresta, Região Leste, o silêncio que embala a noite de quem mora na Rua Pouso Alegre, próximo ao Complexo da Lagoinha, foi conquistado com negociações que resolveram problemas registrados no passado“Tivemos muitas dificuldades com bares e com locais de festas que começavam muito tarde e varavam a madrugada, mas eles fizeram reformas, adaptaram sua acústica e hoje funcionam sem nos importunar”, afirma o pastor Giovam Casteluber, que há 10 anos mora aliDe acordo com ele, há dois anos as discussões com os proprietários desses estabelecimentos resultaram em acordos pela paz na vizinhança.

Outro local onde as medidas de isolamento acústico foram bem recebidas é a Rua Francisco Bicalho, no Caiçara, Região Noroeste, onde funcionam pelo menos três churrascariasOs estabelecimentos fecharam com vidros os espaços abertos e agora as reclamações da vizinhança são apenas quanto aos frequentadores que estacionam ou deixam as ruas, algumas vezes fazendo barulho ou discutindo com os flanelinhas
O ruído máximo medido ali foi de 66,5 decibéis