A Pousada Estalagem do Mirante, na Serra da Moeda, em Brumadinho, Região Metropolitana de Belo Horizonte, foi parcialmente interditada nesta sexta-feira pelo Ministério Público de Minas Gerais em conjunto com o Procon Estadual e a Polícia MilitarDos 16 chalés, oito foram interditados por utilizarem sistema de aquecimento a gás que estaria instalado de maneira irregularA medida foi tomada após a polícia concluir o inquérito sobre a morte do casal Gustavo Lage Caldeira Ribeiro e Alessandra Paolinelli Barros e constatar que eles foram intoxicadosAlém de suspender o serviço de hospedagem, o MPMG denunciou à Justiça o dono da pousada, Luciano França Drumond, e o bombeiros hidráulico que fez a instalação do sistema, Rodrigo Morais, por homicídio culposo (quando não há intenção de matar.
De acordo com o MPMG, o promotor de Justiça de Brumadinho William Garcia Pinto Coelho afirmou que além de apurar a responsabilidade criminal pela morte do casal, o órgão precisa agir para evitar que novas mortes ocorram no local, já que o defeito identificado no sistema de aquecimento coloca em risco a saúde e a segurança dos hóspedes
A suspensão parcial do serviço de hospedagem foi orientada pela Promotoria de Justiça de Brumadinho de forma cautelarSegundo a promotora de Justiça Maria Alice Alvim Costa Teixeira, os oito chalés só poderão voltar a receber hóspedes quando for apresentado pelos representantes da pousadadocumento técnico que comprove a segurança efetiva das instalações, com o devido aval do Corpo de Bombeiros.
O advogado Fernando Júnior, que representa o dono da Estalagem do Mirante, disse que ainda não foi notificado sobre a suspensão, mas adiantou que vai recorrer da medida que, segundo ele, não é cabível.
Entenda o caso
14 de março de 2011
O casal de namorados Gustavo e Alessandra faz reserva na Estalagem do Mirante, em Brumadinho, onde vai comemorar o primeiro ano de namoroEles não informam a ninguém da família para onde vão viajar.
15 de março
Os namorados chegam à pousada no começo da tarde e se hospedam no Chalé LibélulaÀ noite, vão ao restaurante da pousada, onde jantam e tomam vinho
16 de março
Gustavo e Alessandra não aparecem no restaurante para tomar café da manhã nem deixam a pousada às 12h, horário em que venceu o pacote de hospedagemUma empregada vai até o chalé, bate à porta, não é atendida e vai emboraMais tarde, essa mulher diria à polícia que ouviu barulho da banheira de hidromassagem em funcionamento.
17 de março
Alertada por amigos do casal que sabiam onde os namorados haviam se hospedado e estavam preocupados com a falta de notícias, a polícia liga para a pousadaEmpregados vão até o chalé, desligam a hidromassagem, ainda funcionando, abrem a porta e encontram os jovens mortos sobre a cama.
As primeiras investigações da polícia apontam para asfixia por monóxido de carbonoComo a lareira estava acesa, as principais suspeitas são de que o gás resultante da queima da lenha tenha intoxicado Gustavo e Alessandra.
27 de fevereiro
Quase um ano depois das mortes, a Polícia Civil divulga resultado do inquérito e confirma que namorados foram asfixiados pelo monóxido de carbono que vazou do sistema de aquecimento a gás da hidromassagem.
A polícia conclui ainda que obras irregulares no habitáculo do aquecedor, feitas pelo dono da pousada e por um bombeiro hidráulico autônomo, sem orientação de um engenheiro ou arquiteto, teriam permitido o acúmulo do monóxido produzido pelo aquecedorO gás vazou para o chalé e intoxicou os jovens quando eles estavam dormindo.
Luciano França Drumond, dono da pousada, e o bombeiro hidráulico Rodrigo Morais são indiciados pela polícia por homicídio culposo.