O advogado do proprietário da pousada Estalagem do Mirante, em Brumadinho, na Grande BH, afirmou nesta segunda-feira que ele e seu cliente, Luciano França Drumond, foram pegos de surpresa com o indiciamento pela morte do casal de estudantes, asfixiados no estabelecimento em março do ano passado.“Fomos surpreendidos pela divulgação pela políciaEles convocaram toda a imprensa e nós não fomos chamados e não recebemos nenhuma informação”, afirma o advogado Fernando JuniorAlém do empresário, o bombeiro hidráulico Rodrigo Morais também foi indiciado pelas mortes.
Segundo o inquérito da Polícia Civil, Gustavo Lage Caldeira Ribeiro, de 23 anos, e Alessandra Paolinelli de Barros, de 22, foram intoxicados por monóxido de carbono, que escapou para dentro do quarto, devido a uma falha na instalação de um aquecedor De acordo com a titular da Delegacia de Homicídios Sul, Elenice Ferreira, responsável pelos trabalhos, houve uma modificação na instalação do aquecedor a gás da banheira do chalé onde o casal estava hospedadoA hipótese inicial - de que a lareira tivesse produzido o gás que matou os jovens - foi descartada pelos peritos como principal causa da morte, pois produziu pouca concentração da substância.
Segundo a polícia, o chalé foi construído sobre pilares e o equipamento foi instalado entre elesPor causa dos ventos fortes, que normalmente atingem a região, a chama do aquecedor se apagava com frequênciaPara solucionar o problema, o proprietário contratou um bombeiro hidráulico autônomo para fazer uma obra no localO profissional sugeriu que ele fechasse parte do espaço com alvenaria e retirou a chaminé por onde saía o gásA obra foi feita sem a avaliação de um engenheiro responsável
Conforme as investigações, o monóxido de carbono produzido pelo aquecedor entrou pelo quarto do casal através do sistema hidráulico da banheira, que chegou a ficar ligada por 10 horasA substância, sem cheiro ou cor, provoca tontura e sonolência
O advogado não acredita que essa seria a causa da morte dos estudantes, já que o mesmo problema poderia ter acontecido com outros hóspedes“Há nove anos a pousada está em funcionamento sem sofrer nenhuma reformaA construção do local foi feita em três etapasO chalé que o casal ocupava estava em funcionamento há mais de cinco anosTodas as acomodações não sofreram qualquer tipo de reforma ou adaptação, apenas trabalhos de manutençãoDurante esses anos, nenhuma reclamação ou um fato semelhante foi constatado”, explica Fernando Junior
O advogado tenta agora ter acesso ao inquérito para traçar a estratégia de defesa“Tentamos pegar o inquérito, mas ele já foi enviado para BrumadinhoSó depois que soubermos o teor é que vamos montar nossa estratégia”, explica
O proprietário da pousada foi indiciado porque agiu com negligência e imprudência ao não contratar um engenheiro, segundo a políciaJá o bombeiro hidráulico teria agido com negligência e imperícia, por saber que não podia isolar o aquecedor ou fazer esse tipo de serviçoEles vão responder em liberdadeO inquérito, agora, vai ser encaminhado à Justiça com uma recomendação ao Ministério Público para que o órgão tome providências, a fim de evitar que novos casos se repitam em outros estabelecimentos