Jornal Estado de Minas

Proprietário de pousada e bombeiro serão indiciados por morte de casal em Brumadinho

Modificação na instalação de um aquecedor contribuiu para o vazamento de gás que asfixiou dois jovens

Cristiane Silva

- Foto: Casal foi morto por asfixia provocada por monóxido de carbono



O dono da pousada em Brumadinho, na Grande BH, e um bombeiro hidráulico serão indiciados por homicídio culposo - quando não há intenção de matar - pela morte de um casal de estudantes, em março do ano passado.

Segundo o inquérito da Polícia Civil, a morte de Gustavo Lage Caldeira Ribeiro, de 23 anos, e Alessandra Paolinelli de Barros, de 22, foi provocada pelo excesso de monóxido de carbono que escapou para dentro do quarto, devido a uma falha na instalação de um aquecedor

O resultado da investigação foi divulgado em entrevista coletiva nesta segunda-feiraDe acordo com a Elenice Ferreira, da Delegacia de Homicídios Sul, responsável pelos trabalhos, houve uma modificação na instalação do aquecedor a gás da banheira do chalé onde o casal estava hospedadoA hipótese inicial - de que a lareira tivesse produzido o gás que matou os jovens - foi descartada pelos peritos como principal causa da morte, pois produziu pouca concentração da substância

Segundo a polícia, o chalé foi construído sobre pilares e o equipamento foi instalado entre elesPor causa dos ventos fortes, que normalmente atingem a região, a chama do aquecedor se apagava com frequênciaBuscando solucionar o problema, o proprietário contratou um bombeiro hidráulico autônomo para fazer uma obra no localO profissional sugeriu que ele fechasse parte do espaço com alvenaria e retirou a chaminé por onde saía o gásA obra foi feita sem que nenhum dos dois entrasse em contato com um engenheiro responsável.

Equipamento que aquecia a banheira foi instalado em "porão" sob o chalé - Foto: Cristina Horta/EM/DA Press

Conforme Ferreira, o monóxido de carbono produzido pelo aquecedor entrou pelo quarto do casal através do sistema hidráulico da banheira, que chegou a ficar ligada por 10 horasA substância, sem cheiro ou cor, provoca tontura e sonolênciaA investigações apontaram que penas Gustavo apresentou reação ao contato com o gás, já que ele teria vomitado


Ainda de acordo com a delegada, o proprietário foi indiciado porque agiu com negligência e imprudência ao não contratar um engenheiroJá o bombeiro hidráulico, segundo a polícia, agiu com negligência e imperícia, por saber que não podia isolar o aquecedor ou fazer esse tipo de serviçoO inquérito será encaminhado à Justiça com uma recomendação ao Ministério Público para que o órgão tome providências, a fim de evitar que outros casos se repitam em outros estabelecimentosO Estado de Minas ainda não localizou os advogados dos indiciadosp para falar sobre o assunto