O taxista Pedro Joaquim da Silva, que há 10 exerce a profissão, conta que já se envolveu duas vezes em acidentes e que em uma delas o condutor do outro veículo estava embriagado“Ainda bem que nunca foi nada graveAqui não existe isso de não beber se estiver dirigindoSe a pessoa fizer essa opção, é porque é conscienteAqui, motorista entra na rotatória de qualquer jeito, fura sinal, entra na contramãoVejo isso todos os dias.”
A advogada Vera Lúcia Marques, de 30, acaba de se mudar para Divinópolis e está assustada com o desrespeito, não apenas dos motoristas, como também dos pedestresEla, que sempre morou em BH, está estranhando muito a atitude das pessoas no trânsito“Todos os dias me deparo com uma situação diferente
Quem não teve tanta sorte e acabou se acidentando, como o arquiteto Leandro Camargo, de 31, carrega até hoje o traumaFoi em 2006, e Leandro teve a perna direita amputadaO acidente ocorreu na Avenida JK, no Centro da cidade, e o arquiteto ficou preso debaixo da carreta“Quando lembro daquele momento, sinto a dor, a sedeÉ uma dor que não dá para descreverComo se estivesse queimandoTem horas que paralisa e é como se você não estivesse sentindo mais nada”, conta.
A moto que Leandro pilotava foi atingida pela carreta ao fazer uma curvaHoje, o arquiteto prefere andar de carro, passou a dar ainda mais valor à vida e, ao volante, procura dirigir pensando nele e nos outros, sempre muito atento
Nova Serrana
Vizinha de Divinópolis, Nova Serrana, com quase 74 mil habitantes, também convive com trânsito caótico e violentoDe acordo com dados da Polícia Militar, no ano passado 272 pessoas ficaram feridas na cidade em consequência de acidentesForam registradas seis mortesQuem enfrenta diariamente problemas como engarrafamentos no horário de pico, acidentes e desrespeito à sinalização cobra planejamento, conscientização dos motoristas e melhoria das vias para desafogar o tráfego.
É o caso do taxista Bruno Lopes dos Santos, de 22Para ele não restam dúvidas: é preciso mais investimentos e mais planejamento do trânsito na cidade“Dirigir aqui é horrívelNão existe respeito e as ruas são estreitasQuem não está acostumado passa aperto ao dirigir em Nova SerranaTem que estar sempre com a atenção redobradaJá vi muitas batidas provocadas por imprudência”, conta.
Há três anos Lauro Henrique Will da Silva, de 25, trabalha como porteiro em uma loja localizada numa das principais vias da cidade: a rua Guimas Dimarães, no CentroEle também já presenciou inúmeras batidas e hoje prefere não dirigir“Aqui é muito complicadoNinguém respeita nada e as ruas são estreitasPrefiro evitar aborrecimentos e vir trabalhar a pé mesmo”, diz.
Rotina de acidentes e feridos
Mais veículos nas ruas, mais falta de respeito e mais vítimas de acidentes do trânsitoEm Sete Lagoas, na Região Central de Minas, a 84 quilômetros de Belo Horizonte, dados da Secretaria Municipal de Saúde mostram que cerca de 40% dos casos atendidos no Hospital Municipal são decorrentes de acidentes envolvendo motociclistasJá de acordo com o Corpo de Bombeiros, que também atende vítimas de acidentes, só em 2012 já foram socorridos 24 motociclistas e passageiros de motociclistas, com registro de uma morte(Marcos Avellar)