Jornal Estado de Minas

Número de condutores flagrados sem carteira é cada vez maior em cidades do interior

Cresce o número de condutores que se arriscam no volante sem ter habilitação. Para especialistas, prática comum no interior é fruto da omissão do poder público

Guilherme Paranaiba
No interior de Minas, não ter carteira de motorista não é impedimento para sair conduzindo um carro ou uma motocicleta
Pelo menos é o que comprovam dados do Departamento Estadual de Trânsito de Minas Gerais (Detran/MG)Em 2010, foram registradas 107.605 autuações por falta de habilitação nos municípios do interior, contra 10.503 infrações na capitalNo ano passado, enquanto houve queda de autuações de condutores inabilitados em Belo Horizonte (7.907), no interior foi registrado crescimento, com as infrações alcançando 112.639.

Segundo especialistas, o aumento desse tipo de ocorrência de trânsito também é fruto da explosão da frotaPara a coordenadora de Infração e Controle do Condutor do Detran, delegada Inês Borges Junqueira, capital e interior vivem momentos distintos“O número caiu em Belo Horizonte por conta do aumento da fiscalização, principalmente a da Lei Seca, que também pega os inabilitadosJá no interior o número de pessoas dirigindo sem habilitação tende a aumentar, porque a frota cresce muito acima da capacidade da fiscalização”, afirma a delegada.

A policial admite que o número de condutores inabilitados é ainda maior, pois nem todos são apanhados pela fiscalização“Cada registro depende de uma abordagem por um agente de trânsitoImaginem só quantos motoristas inabilitados não passam pela fiscalizaçãoE no interior essa situação é bem pior, com toda certezaTambém acho importante ressaltar que o alto número de pessoas que dirigem sem carteira é proporcional à responsabilidade do cidadão”, completa.

A dificuldade em identificar e punir os condutores inabilitados é destacada pelos especialistas, que voltam a cobrar mais rigor na fiscalização, especialmente no interior
Exemplo da precariedade da fiscalização é a expansão das blitzes da Lei Seca para o interior, prometida pelo governo do estado em julho do ano passado, quando a ação passou a ser feita em Belo Horizonte, e até agora não implantada.

Sem contingente

A fiscalização da Lei Seca no interior, a exemplo do que já ocorre na capital, poderia ajudar a autuar condutores inabilitados“Isso já deveria ter sido feito há muito tempo, mas não há contingente suficiente para talA omissão do Executivo e do Judiciário também é um fator que contribui para a impunidade”, diz o advogado Carlos Cateb, que trabalhou na elaboração do Código de Trânsito Brasileiro.

O consultor em transportes e trânsito Osias Baptista Neto completa dizendo que a fiscalização rigorosa da Lei Seca acaba conseguindo agir em três pontos“Em primeiro lugar, a blitz vai atrás do motorista alcoolizadoEm segundo lugar ela acaba cercando também os inabilitadosE por último ainda inibe o roubo de veículos, que está amplamente associado à criminalidade de maneira geral”, afirma o especialista.

Segundo a Secretaria de Estado de Defesa Social, a expansão da fiscalização da Lei Seca para o interior está em fase final de planejamento e será implantada no primeiro semestre.

Rotina de acidentes e feridos

Mais veículos nas ruas, mais falta de respeito e mais vítimas de acidentes do trânsitoEm Sete Lagoas, na Região Central de Minas, a 84 quilômetros de Belo Horizonte, dados da Secretaria Municipal de Saúde mostram que cerca de 40% dos casos atendidos no Hospital Municipal são decorrentes de acidentes envolvendo motociclistasJá de acordo com o Corpo de Bombeiros, que também atende vítimas de acidentes, só em 2012 já foram socorridos 24 motociclistas e passageiros de motociclistas, com registro de uma morte(Marcos Avellar)