Jornal Estado de Minas

Centro-Oeste mineiro já teme surto da dengue

Na iminência de uma epidemia, Bom Despacho declara guerra ao mosquito transmissor da doença

Simone Lima
Bom Despacho, no Centro-Oeste de Minas, corre risco de uma epidemia, ao registrar em janeiro índice de infestação de 11,4% dos imóveis no último Levantamento do Índice Rápido do Aedes aegypti (Liraa), 7,4% a mais do que o percentual de 2011
O índice acima de 3,9% é considerado pelo Ministério da Saúde situação de alto riscoDiante do perigo de surto da doença, a cidade decretou guerra ao mosquito, adotando ações de prevenção

No ano passado, o município registrou 204 notificações e neste ano o número de casos já chega a 16 Segundo a coordenadora de Epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde, Neide Braga Lopes, nas últimas semanas três bairros receberam mutirões de limpezaAlém disso, foram montadas salas de espera em 10 unidades de saúde para orientar as pessoas sobre a prevenção“O índice de infestação é preocupante, mas as notificações não estão altasJá capacitaremos todos os funcionários das unidades de saúde para que possam identificar pacientes com sintomas da doença e padronizar o atendimento”, explicou

A coodenadora ressaltou que em janeiro o município recebeu apoio da força-tarefa da Gerência Regional de Saúde, que passou com o fumacê pelas ruas da cidade e orientou a populaçãoO objetivo é evitar um novo surto em Bom Despacho, como o que ocorreu no fim de 2009 e início de 2010, quando foram registrados mais de 4 mil casos da doença e três mortes“Nessa época, o Liraa na cidade ficou em torno de 7,4%”, contou


O levantamento analisou 20% dos 21.260 imóveis da cidadeDesse total, 11,4% apresentavam focos do mosquito Neide Lopes informou que a maior preocupação é que o tipo 4 da doença chegue ao município“Já tivemos até dengue do tipo 3 e não queremos que a doença se espalhe e que esse novo tipo de vírus atinja a população”, acrescentou

Dores do Indaiá

Outro município do Centro-Oeste de Minas que apresentou aumento no índice de infestação do mosquito foi Dores do IndaiáO percentual, que no ano passado foi de 2,2%, saltou para 7%A coordenadora municipal de Epidemiologia, Núbia Fernanda da Silva, disse que o índice surpreendeu os profissionais“Não esperávamos esse aumento e não sabemos como esse índice chegou a 7%”, afirmouse

Núbia Silva informou que os focos foram encontrados principalmente em casasDesde então, a prefeitura faz alertas nos meios de comunicação e promove blitz educativa
Apesar do aumento no Liraa, nenhum caso da doença foi registrado neste ano.“Estamos com 10 agentes percorrendo a cidade para orientar a população”, disse