As mulheres são maioria na capital mineira, representando 53% da população belo-horizontina, mas perdem de lavada a soberania no território dominado por bicicletasHomens reinam absolutos nas ciclovias de BH e respondem por mais de 90% de seus frequentadoresContagem de ciclistas feita pelo Estado de Minas, na pista para bike da Rua Professor Moraes, conhecida como Rota da Savassi, na Região Centro-Sul, mostra que a presença feminina se restringe a 4% dos usuários da viaNum intervalo de quatro horas, das 8h às 12h, do total de 26 bicicletas que cruzaram o corredor, uma era dirigida por mulher.
Na Avenida Risoleta Neves, conhecida como Via 240, que corta os bairros Primeiro de Maio, Aarão Reis e Providência, na Região Norte de BH, a participação também é pequenaEm quatro horas, apenas três mulheres conduziam as 37 bicicletas que passaram pelo local, o que corresponde a 8%Estudo feito pelo grupo Mountain Bike BH, com base na metodologia do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP, na sigla em inglês) e a pedido da BHTrans, antes da implantação das ciclovias já apontava a predominância masculina na direção das bikes.
A medição abrangeu seis rotas que receberiam ciclovias e mostrou que a participação dos homens representava mais de 90% dos usuários do meio de transporteDe acordo com o integrante do Mountain Bike BH Humberto Guerra, participante do estudo e defensor das bicicletas, o trânsito de Belo Horizonte ainda é muito hostil ao ciclista, fator que pode contribuir para afastar as mulheres do meio de transporte“Trata-se também de uma atividade física que demanda esforço e pode dar a sensação de que é muito pesada para o dia a dia”, opina.
Apesar disso, há um grupo empenhado em mudar essa imagemHá cerca de um ano, mulheres que adotaram o ciclismo como filosofia de vida criaram o Pedal de Salto Alto, formado apenas pelas amantes da bicicleta empenhadas em trazer mais companheiras para a turmaO grupo, que começou com 10 integrantes, já consegue reunir nas pedaladas até 60 ciclistas e promove passeios ciclísticos cuja marca principal é o salto alto junto ao pedal, para mostrar que bicicleta combina com beleza e vaidade.
Mudança de imagem “Acredito que a mulher veja a bicicleta como um esporte agressivo, que pode trazer empecilhos como um pneu furadoE, se usada como meio de transporte, acho que muitas têm medo do nosso trânsito louco e também de ser assaltadas”, conta a promotora de eventos ciclísticos e pedagoga Denise Cruzeiro, de 46 anos, uma das integrante do Pedal de Salto Alto
Mãe e filha, Eliete e Yanca Silva Santos, de 47 e de 15, fazem parte da parcela ainda acanhada de mulheres que aderiu à bikePelo menos três vezes por semana as duas suam a camiseta na Avenida Risoleta Neves, conhecida como Via 240Com 2,2 quilômetros de extensão, a ciclovia foi implantada há quase seis meses na via e, desde então, a dupla resolveu adotar a bicicleta como atividade física“Aqui na ciclovia andamos com segurança, pois antes, sem espaço definido, era perigosoPara nós, ainda não é viável usar a bicicleta como transporte, mas ganhamos saúde”, afirma Eliete, com todo fôlego.
Enquanto isso...
...Interdição por obra na Professor Moraes
Quase seis meses depois de inaugurada, ciclovia da Savassi, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, encolhe quase um quarteirãoO motivo é a obra do Hotel Holiday Inn na Rua Professor Moraes, entre as ruas Antônio de Albuquerque e Tomé de Souza, bem em frente à cicloviaA faixa exclusiva para bicicletas foi transformada temporariamente em estacionamento para carga e descargaCom isso, os blocos usados para demarcar a pista foram retirados, para dar lugar a caminhões e veículos pesadosA mudança desagradou aos frequentadores