Jornal Estado de Minas

Levantamento indica o que mais irrita passageiros da capital

Pontos de ônibus precários, sujeira no metrô e comportamento inadequado de motoristas figuram entre as principais reclamações dos usuários de transporte público em BH

Mateus Parreiras

"É um absurdo não ter um teto com sombra para esperar ônibus", Simone Alves, 33 anos, que aguarda ônibus desprotegida do sol no Centro - Foto: Juarez rodrigues/em/d.a press

As quatro sacolas cheias de cadernos e material escolar para os filhos parecem ficar mais pesadas com a espera que ultrapassa 20 minutosOs braços suados incomodam, mas a porteira Simone Mariano Alves, de 33 anos, resiste ao sol enquanto espera por um ônibus no ponto sem abrigo da Avenida Amazonas com Rua dos Tupis, no Centro de Belo Horizonte Perto dali, na estação central do metrô, a cabeleireira Cleusa Maria de Souza, de 55, também se queixaDiz que a primeira coisa que faz quando desce do vagão é procurar uma pia para lavar as mãos“As estações e os vagões são imundos.” Quem tenta fugir dos problemas dos ônibus e do metrô tomando um táxi tampouco escapa de problemas“Já encontrei muitos taxistas mal-educados, que recusaram corrida e até jogaram o troco no banco”, reclama a empresária Naira Cristina Silva, de 22.


Habituados ao aperto nos ônibus e no metrô, usuários do transporte público de Belo Horizonte deram alerta no ano passado para outras falhas do sistemaAs más condições de conservação e de instalação desses serviços foram os problemas que mais levaram passageiros a acionar as prestadoras dos serviços nos canais de atendimento oficiaisEntre usuários de táxis, a principal reclamação foi o comportamento inadequado dos condutores Segundo a BHTrans, o estado e a eficiência dos pontos de ônibus foram o tema que mais provocou reclamações por parte de quem usa o sistema municipalDas 23.834 queixas recebidas, 8.965 (37,6%) eram referentes aos pontosO descumprimento do quadro de horários, com 7.325 (30,7%), e o comportamento inadequado de motoristas e cobradores, com 5.439 (22,8%), vieram em seguida.

Confira imagens com flagrantes das principais reclamações dos passageiros

Nos pontos sem abrigos da Avenida Amazonas o desconforto é nítido entre os que esperam para embarcar e ainda têm de se conformar com atrasos

Ontem, enquanto uma multidão buscava nas marquises de edifícios proteção contra o sol do meio-dia – temperatura de 33oC, de acordo com o termômetro – outros, como Simone Alves, enfrentavam o calor completamente expostosO motivo é simples: quem fica na sombra corre o risco de não embarcar“Se tivesse um ponto com abrigo, o ônibus parava nele e a gente embarcava numa boaComo não tem, fica gente debaixo da marquise e outros tomando chuva e sol”, conta“Quando chega o ônibus é uma correria”, acrescenta.

Lixo


"As pessoas deixam o lixo por toda parte, por pressa ou distração", Ronaldo Silva, 49 anos, que recolhe latas nas estações do metrô - Foto: Juarez rodrigues/em/d.a press Nas estações do metrô, o lixo é tanto que garante a sobrevivência do artesão Ronaldo Marcelo Rodrigues Silva, de 49Ele cata por dia até 200 latas de alumínio deixadas nas estações e que muitas vezes demoram para ser recolhidas“Disputo as latas com as faxineiras, quando elas (as profissionais) aparecem”, conta“Vejo as pessoas deixando seu lixo por toda parte, às vezes por distração ou por pressa de embarcar”, completaCom 5 mil latas, o artesão consegue produzir uma panela de R$ 30Sua principal fonte de matéria-prima sai do metrô


As latas, embalagens de salgados e lanches deixados nas estações não são o único problema de limpeza – tema que motivou 192 reclamações à Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) em 2011, número 15,66% superior ao de 2010O aspecto encardido das instalações também incomoda e se repete dentro das composiçõesManchas claras e restos de chicletes ficam impregnados no piso de borracha dos trens e não saem apenas com as vassouras e os esfregões usados por faxineiros“Dá para ver que o pessoal da limpeza não consegue fazer seu trabalho por causa do itinerário apertadoO metrô para um minuto e os faxineiros têm de sair para ele partir da estação”, observa Cleusa Maria de Souza“Acho que falta também educação das pessoas, porque nós vemos lixeiras em todos os espaços”, completa o estudante Rosinei Soares, de 24.

De acordo com a CBTU, o número de passageiros cresceu 13,5% entre 2010 e 2011, de 50.555.704 para 57.380.918As reclamações acompanharam o ritmo, crescendo 12%, de 973 para 1.090 no períodoDe acordo com a assessoria de imprensa da companhia, “a limpeza é feita diariamente e o metrô recolhe cerca de uma tonelada de lixo todos os dias”A CBTU aproveita o assunto para “pedir a colaboração da população quanto aos cuidados com a limpeza.” A BHTrans informou que a instalação dos abrigos segue o critério de estudos e há locais no Centro nos quais eles não podem ser fixados por questão de patrimônio paisagístico, como na Rua dos Caetés.