Desgastada com a viagem de sete horas num ônibus de Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, até Belo Horizonte, a dona de casa Isabel Christina Rodrigues, de 54 anos, achou que descansaria quando finalmente pôs sua bagagem no porta-malas do táxi e embarcou“Vou para a Avenida Amazonas, aqui perto”, disse para o taxista, um senhor de meia-idade que estava na ponta da fila no interior do Terminal Rodoviário Governador Israel PinheiroA reação do motorista a surpreendeuO condutor, irritado, parou no meio do caminho, perto da Avenida do Contorno, e a mandou descer com as malas“Ele ficou gritando que estava há 40 minutos na fila e que não pegaria uma corrida para tão pertoQue era para eu descer logo, que o estava atrapalhando”, lembraAssustada, a mulher desembarcou e nem anotou a placa para reclamar“Fiquei paralisada, a gente não sabe o que uma pessoa dessas pode fazer”, disse.
Diferentemente de Christina, 631 pessoas formalizaram na BHTrans reclamações contra o que a empresa chama de “comportamento inadequado dos motoristas”O número representa 58,53% de todas as reclamações e representa um aumento de 21,81% frente ao registro desse mesmo tipo de queixa no ano passado, que chegou a 518 ocorrênciasO dado abala a crença antiga de que os taxistas da capital mineira seriam os mais gentis da América LatinaE é divulgado no momento em que a expectativa do setor é de lançamento nos próximos dias de licitação de mais 500 concessões pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) para reforçar a frota e receber turistas na Copa das Confederações (2013) e na Copa do Mundo (2014)
“Há taxistas que são mal educados e nos tratam malJá teve até quem estava na fila e recusou me levar, falando que já estava indo para casa”, reclama a empresária Naira Cristina Silva, de 22 anosNas ruas do Centro, as atitudes dos taxistas se apropriando de pontos apertados e estacionando em locais indevidos também são interpretados por usuários como exemplos de mau comportamentoNa Avenida Afonso Pena, o último ponto da Praça 7 no sentido Mangabeiras é palco de várias imprudênciasAlém das filas duplas para estacionar, os taxistas se apertam tanto que não raramente escalam as calçadas com as rodas de trás para que todos caibamMais à frente, depois da Rua da Bahia, um taxista abandonou nessa quinta-feira seu automóvel na área de carga e descarga enquanto fazia um lanche tranquilo no bar da esquinaDois guardas municipais que viram a reportagem do EM fazendo fotos correram até o local e sua presença fez o homem sair de dentro da loja com um salgado e um refrigerante na mãoEle entrou no carro e arrancou sem ser multado.
‘Passageiros nervosos’ Para o presidente do Sindicato Intermunicipal dos Taxistas (Sincavir), Dirceu Efigênio Reis, culpa a falta de táxis, sobretudo na Região Centro-Sul, pelo aumento das reclamações“Os passageiros ficam nervosos, incomodados com os atrasos e a dificuldade de pegar táxiAí, comentam com o taxista, que já trabalha numa carga horária puxada
Enquanto isso, estatuto não é aplicado
O Estatuto do Pedestre, instrumento que prevê mais abrigos nos pontos de ônibus e orienta a conservação e instalação de mobiliários para quem circula a pé e usa transporte público, ainda não foi regulamentadoAté o ano passado, a cidade contava com 2 mil abrigos para oferecer cobertura aos 9 mil pontos de ônibus municipaisA situação, somada ao grande volume de reclamações contra o estado de conservação dos móveis, muitos sem telhados ou com as laterais expostas às intempéries, destoa da recente aprovação do código, sancionado em 14 de janeiroA legislação prevê, além dos abrigos, direitos como a priorização do pedestre no planejamento da paisagem, do mobiliário e do tráfego, de forma que isso garanta segurança, conforto e tranquilidade.
O Estatuto do Pedestre, instrumento que prevê mais abrigos nos pontos de ônibus e orienta a conservação e instalação de mobiliários para quem circula a pé e usa transporte público, ainda não foi regulamentadoAté o ano passado, a cidade contava com 2 mil abrigos para oferecer cobertura aos 9 mil pontos de ônibus municipaisA situação, somada ao grande volume de reclamações contra o estado de conservação dos móveis, muitos sem telhados ou com as laterais expostas às intempéries, destoa da recente aprovação do código, sancionado em 14 de janeiroA legislação prevê, além dos abrigos, direitos como a priorização do pedestre no planejamento da paisagem, do mobiliário e do tráfego, de forma que isso garanta segurança, conforto e tranquilidade.