Um homem de classe média alta inconformado com o fim do relacionamento persegue a mulher que o denunciou à polícia por ameaças consecutivasO enredo, muito semelhante ao do assassinato da procuradora Ana Alice Moreira de Melo, em um condomínio de Nova Lima, na Grande BH, levou policiais do 1º Batalhão e do Esquadrão Antibombas do Grupamento de Ações Táticas Especiais (Gate) a isolar a Rua Espírito Santo, no Bairro de Lourdes, na Região Centro-Sul da capital, para averiguar uma suspeita de bomba em um Kia Soul
Mas a suspeita trouxe à tona a história de mais uma mulher ameaçadaA professora A.L.C., de 41 anos, proprietária do veículo, está sob medida protetiva desde 20 de dezembro em função da perseguição do ex-namorado, o consultor financeiro S.L.S.L., principal suspeito de ter instalado um rastreador em seu veículo.
A professora estacionou o carro e quando voltou foi abordada pelo ex-parceiro, mas entrou no veículo sem dar chance a qualquer diálogoO auxiliar administrativo L.G.L., de 21, estava na calçada no momento em que o dispositivo foi instalado e alertou a professora que o homem que acabara de sair dali havia colocado alguma coisa debaixo do carro“Vi quando ela estacionouLogo depois que ela saiu, o homem, muito bem vestido, passou pelo carro, fingiu que tropeçou e colocou alguma coisa debaixo do veículoEle deu algumas voltas no quarteirão e assim que ela voltou para buscar o carro ele se aproximouComo vi que ela não deu muito papo, decidi avisá-la”, contou o auxiliar administrativo.
A professora acionou a Polícia Militar, que pediu ajuda ao Esquadrão Antibombas do Gate para avaliar o conteúdo da caixa de 15cm presa por imãs no fundo do Kia SoulO tenente Francis Albert, que coordenou a operação, desmontou a caixa de forma a preservar o conteúdo para perícia“Não havia explosivos
Queixas em vão
A professora A.L.Cdiz que manteve um relacionamento de seis anos com o consultor financeiro, que, segundo ela, é de uma família de classe média alta de BH e dono de possesHá dois anos, ela tenta romper o namoro e há cinco meses decidiu pôrr um ponto final no relacionamento“Desde então, ele telefona sem parar, perturba a minha família falando horrores de mim, me fez até perder o emprego em um colégio tradicional da cidadeEle procura as pessoas com quem tento me relacionar para denegrir a minha imagemJá perdi muito por causa da obsessão dele”, contou.
Ela diz que nos últimos quatro meses registrou dois boletins de ocorrência contra S.L.S.L
Para ela, além de perder a tranquilidade, uma mulher perseguida por ex-companheiro tem danos psicológicos“Hoje, vim entregar um pedido de licença à prefeitura, onde trabalho, porque essa situação desencadeia muito medo e baixa autoestimaA gente fica querendo saber quem vai parar esse homem obcecadoRecorri a ex-mulher, filhos, família, pedindo ajudaNão sei o que ele faria depois de instalar esse rastreador no meu carro”, diz