Formada em ciência da computação, Yokania trabalhou no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) e na Construtora Queiróz GalvãoEla aguardava a conclusão do treinamento, que incluía o curso, cuja aula acontecia no momento da queda do Edifício Liberdade, para acertar sua contratação na TO – Tecnologia Organizacional“Estava fazendo um curso para começar a trabalhar”, conta a prima Paula.
Yokania estava sentada na primeira fila da sala de aula da TOEla é solteira, tem 34 anos e há 12 mora no Rio de JaneiroFillha de Luiz Antônio de Carvalho Mauro, morto há um ano, e de Vera Bastone, que está na capital fluminense desde quinta-feira, Yokania é considerada uma moça alegre“Uma pessoa muito boaSempre de bem com a vida”, detalha a prima.
De acordo com Paula, a família decidiu falar com a imprensa quando soube que havia a possibilidade de as buscas serem encerradas
Vera acordou no dia seguinte com um telefonema da amiga de Yokania, que divide o quarto com elaEstava preocupada, pois ela não havia dormido em casa e nem avisado nada, o que não é comumA mãe sabia que o curso ficava perto do Teatro Municipal e que terminaria às 21h, mas não tinha o endereço exatoA amiga decidiu olhar os documentos e papéis de Yokania e constatou que o endereço do curso era exatamente o do primeiro prédio que caiu.
“Ligamos para todos os hospitais, entramos em contato com a prefeitura e logo depois a mãe dela foi com a minha mãe (tia de Yokania) para o Rio de Janeiro”, relata a primaOntem, a Vera fez um exame de DNA para auxiliar no reconhecimento“Queremos achar a Yokania viva ou morta”, afirma Paula, que lembra que uma semana antes do desabamento a prima apagou todos os perfis que tinha nas redes sociais.
ACOMPANHAMENTO
Uma decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) determina que as autoridades estaduais e municipais guardem os corpos das vítimas do desabamento e os coloque à disposição dos parentes, para que sejam identificadosAlém disso, a decisão da juíza Angélica dos Santos Costa também determina que os parentes possam acompanhar a triagem dos entulhos
A Prefeitura do Rio informou, em nota oficial, que o depósito da Comlurb está sendo supervisionado por policiais militares e câmeras para evitar o furto de objetos retirados dos escombros que estão sendo levados para o localDe acordo com a prefeitura, após a conclusão do trabalho do Corpo de Bombeiros e da perícia técnica será contratada uma empresa que ficará responsável por fazer a separação dos bens materiais que estão em meio aos destroçosNo fim de semana foram flagradas pessoas retirando objetos dos escombros que estavam no depósitoPoliciais continuam as investigações sobre o desabamentoA maior suspeita é de que uma obra no nono andar do Edifício Liberdade, o maior dos três, com 20 andares, tenha provocado a queda.
Depois do desastre
O secretário municipal de Urbanismo do Rio de Janeiro, Sérgio Dias, afirmou ontem que a prefeitura estuda obrigar os condomínios a entregarem ao município laudos periódicos, elaborados por engenheiros ou arquitetos, sobre as condições estruturais dos imóveisA documentação auxiliaria em vistorias, por amostragem, e no controle da situação dos edifíciosDias disse que pretende debater a proposta nos próximos dias com órgãos como o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea-RJ), Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio (CAU-RJ) e a Associação Brasileira de Administradores de Imóveis (Abadi-Rio)