Jornal Estado de Minas

Fazendeiro do Sul de Minas é denunciado pelo MPF por trabalho escravo

O acusado mantinha trabalhadores, em sua propriedade, em situações degradantes. O funcionário dele também vai responder pelo mesmo crime

João Henrique do Vale
O dono de uma fazenda em Alpinópolis, na Região Sul de Minas, e o empregado dele, foram denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) pelos crimes de trabalho escravo e aliciamento de trabalhadores
O fazendeiro já estava incluído na lista suja de trabalho escravo do Ministério do Trabalho e Emprego.

Durante uma vistoria do Ministério do Trabalho e da Polícia Federal, 39 trabalhadores foram encontrados em condições degradantes de trabalho e cerceamento da liberdadeEles haviam sido recrutadas pelo empregado do fazendeiro, J.D.L.S, em Barreiras, no interior da Bahia, com a promessa de boas condições de trabalho e remuneração

Quando chegaram na fazenda, os trabalhadores foram surpreendidos pelas péssimas condições oferecidasO local usado como alojamento coletivo antes servia de chiqueiroA edificação estava em péssimo estado de higiene e conservação, além sem ventilação e com instalações sanitárias insalubres

De acordo com a denúncia, os trabalhadores não podiam circular livremente fora da fazenda, o que impossibilitava o retorno as cidades de origem delesSegundo o MPF, o forneceu apenas o transporte de ida para a fazenda e realizava o pagamento por produção Como havia poucos grãos a serem colhidos, a remuneração ficava abaixo da prometida, o que inviabilizava a compra de passagens.

Lista suja

Durante as investigações, descobriu-se que o fazendeiro é reincidenteEle já havia sido flagrado em outra fazenda de sua propriedade, localizada no Município de São Desidério/BA, pelos mesmos crimes O próprio, segundo o MPF, confirmou já ter respondido a diversas ações civis públicas devido às autuações realizadas na Bahia.

A pena para o crime de redução à condição análoga à de escravo varia de dois a oito anos de prisão
Já o crime de aliciamento prevê pena de um a três anos. 

Os nomes do fazendeiro e do funcionário dele, não foram divulgados.