Jornal Estado de Minas

Mulher que ficou tetraplégica após acidente há sete anos faz fisioterapia até hoje

Em entrevista ao Estado de Minas ela fala de sua batalha, alerta motoristas para o risco de dirigir sob efeito de álcool e concentra suas esperanças nas pesquisas com células-tronco.

Valquiria Lopes

Adriane Souza Batista, 30 anos - Foto: beto magalhães/EM/D.A PRESS

 

Como foi o acidente?

Não lembro muito Estávamos eu, meu irmão e uma amiga, que dirigiaEla foi desviar de uma bicicleta, o carro capotou e caiu em uma ribanceiraDesmaiei e só acordei dois meses depois, no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte Fiquei em coma induzido nesse período.

A moça que dirigia havia ingerido bebida alcóolica?

Sim Todos no carro havia bebidoHoje, vejo que a mistura álcool e direção não combinaPara quem está no trânsito, ainda dá tempo de pensar.

 Quando soube que havia ficado paraplégica?

Não lembro quem me deu a notícia, mas quando soube foi um desesperoEu tinha 23 anos, trabalhava como subgerente em uma padaria, namorava e queria continuar estudandoFiquei revoltadaFoi muito difícil

Continua sendo.
 
Quanto tempo você ficou internada?

No João XXIII, fiquei por seis mesesDepois que fui para casa, comecei a fisioterapia na PUC, depois no Sarah (Hospital Sarah Kubitschek) e agora estou em uma clínica particularFaço exercícios respiratórios e também para não atrofiar os membros.
 
Do que mais sente falta?


De poder andarQueria passar a mão no meu rosto, pentear o cabelo e não posso.

 O que faz no dia a dia?

Leio, uso o computadorTem um programa que dá para mexer na tela com os olhosAssim, acompanho reportagens de células- tronco, na esperança de que um dia elas serão usadas na medicina e poderei voltar a andar.
 
O que dizer para pessoas que se arriscam no trânsito?


É preciso pensar muito na vidaA gente pensa que as coisas ruins não acontecem com a gente, só com os outros, mas pode acontecer com qualquer umPara ir para uma cadeira de rodas é questão de minutosJá para sair dela, somente com um milagreQuando bebem e dirigem, as pessoas pensam que podem tudo, mas não é bem assim
Tudo tem conseqüências