Como foi o acidente?
Não lembro muito Estávamos eu, meu irmão e uma amiga, que dirigiaEla foi desviar de uma bicicleta, o carro capotou e caiu em uma ribanceiraDesmaiei e só acordei dois meses depois, no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte Fiquei em coma induzido nesse período.
A moça que dirigia havia ingerido bebida alcóolica?
Sim Todos no carro havia bebidoHoje, vejo que a mistura álcool e direção não combinaPara quem está no trânsito, ainda dá tempo de pensar.
Quando soube que havia ficado paraplégica?
Não lembro quem me deu a notícia, mas quando soube foi um desesperoEu tinha 23 anos, trabalhava como subgerente em uma padaria, namorava e queria continuar estudandoFiquei revoltadaFoi muito difícil
Quanto tempo você ficou internada?
No João XXIII, fiquei por seis mesesDepois que fui para casa, comecei a fisioterapia na PUC, depois no Sarah (Hospital Sarah Kubitschek) e agora estou em uma clínica particularFaço exercícios respiratórios e também para não atrofiar os membros.
Do que mais sente falta?
De poder andarQueria passar a mão no meu rosto, pentear o cabelo e não posso.
O que faz no dia a dia?
Leio, uso o computadorTem um programa que dá para mexer na tela com os olhosAssim, acompanho reportagens de células- tronco, na esperança de que um dia elas serão usadas na medicina e poderei voltar a andar.
O que dizer para pessoas que se arriscam no trânsito?
É preciso pensar muito na vidaA gente pensa que as coisas ruins não acontecem com a gente, só com os outros, mas pode acontecer com qualquer umPara ir para uma cadeira de rodas é questão de minutosJá para sair dela, somente com um milagreQuando bebem e dirigem, as pessoas pensam que podem tudo, mas não é bem assim