Jornal Estado de Minas

Fiscais não têm capacidade técnica para identificar a qualidade das sacolas plásticas

Paula Sarapu
O processo de produção das sacolinhas causa impacto maior à natureza do que o descarte inadequado - Roberto Fernando de Souza Freitas, coordenador do Grupo de Pesquisa em Géis e Polímeros da UFMG - Foto: Cristina Horta/EM/D.A Press
De abril, quando passou a vigorar a lei que obriga os estabelecimentos a distribuirem apenas sacolas compostáveis ou biodegradáveis, até 4 de novembro, 3.357 estabelecimentos comerciais da capital foram vistoriados por fiscais da Prefeitura de Belo HorizonteNesse período, 526 comerciantes foram notificados por descumprirem a lei que exige a substituição das sacolas de petróleo por embalagens ecológicasMas a fiscalização para por aíA prefeitura admite que os fiscais só observam as inscrições nas embalagens e não têm capacidade técnica para identificar a qualidade das sacolas plásticasQuando desconfiam ou há denúncias, podem pedir laudo do fornecedor atestando o cumprimento das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Quando a prefeitura constata que o estabelecimento notificado continua distribuindo sacolas proibidas, as embalagens são recolhidas e os comerciantes multadosDepois da notificação, o prazo para o estabelecimento regularizar a situação é de 30 dias, sob pena de pagar entre R$ 1 mil e R$ 2 mil no caso de reincidênciaTambém estão previstas interdição das atividades e cassação do alvará de funcionamento para aqueles que insistirem em desrespeitar a leiAté agora, quatro empresas foram multadas: uma na Região da Pampulha e três na Região Noroeste da cidade.

Fornecedores Desde abril, quando a lei das sacolinhas passou a valer, estima-se que 415 mil embalagens tenham deixado de circular por dia em Belo HorizonteSegundo o superintendente da Associação Mineira de Supermercados (Amis), Adilson Rodrigues, esses estabelecimentos comercializam 3%, conforme padrão ds ABNTEle afirma que as sacolas são compradas de fornecedores confiáveis, mas também admite que a fiscalização não atinge todos os comerciantes.

“Em termos ambientais isso é muito bom, mas nós somos a favor das sacolas retornáveisAs compostáveis deveriam ser usadas só em último caso, se não tiver caixas de papelão nem outro meio de levar as compras para casa
Talvez as amostras tenham sido pegas em locais que a fiscalização ainda não atingiuDe fato, ainda existem fornecedores que tentam ludibriar o consumidor e as empresas menoresSe ela contém algum percentual de plástico, essa sacola já é indevida”.