Jornal Estado de Minas

Mais de duas mil CNHs são suspensas em Minas

Falta de educação é refletida no número de multas e punições em Minas. Em setembro foram 115 mil autuações, com destaque para excesso de velocidade e celular ao volante

Junia Oliveira Paula Sarapu
A grande quantidade de infrações e carteiras suspensas é um retrato da desordem nas ruas
Só em setembro, segundo o Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran/MG), 115336 multas foram aplicadas em todo o estado, uma média de 3.800 autuações por diaEntre janeiro e setembro deste ano, 2.401 motoristas tiveram carteiras suspensasO tempo de punição varia de acordo com a infração, mas a coordenadora de Infração e Controle do Condutor do Detran, delegada Inês Borges Junqueira, afirma que a maioria dos motoristas infratores chega ao limite de 20 pontos por excesso de velocidade, uso de celular ao volante e estacionamento irregularDesde o início do ano, 2.034 processos administrativos por infrações estão em andamento.

“Essa falta de educação é uma questão culturalO trânsito é um reflexo da própria sociedade, que não respeita o próximoQuando há punição, porém, a reincidência é quase nulaIsso porque dói no bolso e porque o motorista perde seu direito de dirigir por até 365 diasEstamos fazendo mutirões justamente para dar uma resposta rápida, embora tenhamos até cinco anos para abrir um processo administrativoPedagogicamente, funciona melhor se o motorista for punido logo”, acredita a delegada.

Em 2010, 3.700 processos foram instaurados contra motoristas que ultrapassaram os limites de 20 pontos no período de um ano, a contar da primeira infração
No ano passado, 3.521 condutores tiveram a habilitação suspensa e foram obrigados a devolver seu documento no DetranA carteira pode ser cassada por dois anos caso ele continue dirigindoDe acordo com as estatísticas do Detran, o número de punições vem aumentando.

Nem mesmo a possibilidade de levar uma multa intimidou o aposentado Osvaldo Pereira, de 70 anosOntem, ele parou no ponto de táxi em frente ao shopping na Avenida Olegário Maciel, no Bairro de Lourdes, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, e foi arredando, arredando, até ser o terceiro da filaSó saiu do local quando abordado pela reportagemA desculpa estava na ponta da língua: “Estou esperando uma pessoa que entrou no shopping, mas tenho que sair agora porque estou em lugar errado”Poucos minutos depois, lá estava o senhor Osvaldo de novo, em lugar errado, logo depois da placa de “proibido parar e estacionar” e a centímetros da entrada da garagem do centro comercial“É muito difícil estacionar em Belo HorizonteNão tem vaga para lado nenhum”, disse o morador do Espírito Santo

Táxis


Na praça há 20 anos, o taxista Nilton Nogueira, de 54 anos, diz que a infração é rotineira
“Em todos os pontos de táxi há sempre um carro de particular aproveitando o espaçoVocê buzina e a pessoa ainda acha ruim”, contouNa Francisco Bicalho com Avenida Padre Eustáquio, no bairro homônimo, na Região Noroeste da capital, a dona de casa Júlia Custódia Fourraux, de 67 anos, cansou de disputar espaço com os automóveis, que não respeitam as sinalizações horizontais e verticais de “pare”“Tenho que atravessar no meio delesÉ um absurdo e muito perigoso”, afirmou

Na Avenida Silva Lobo, no Bairro Grajaú, na Região Oeste, o entregador Valdemar Gomes da Silva disse que só lhe resta “dar um jeitinho” para conseguir deixar as mercadorias nas lojasE isso inclui até mesmo parar a Ducato em local proibido“A gente tenta parar mais perto, dar uma volta e parar de novo, pois faltam estacionamentos para carga e descargaNo Centro da cidade é a mesma coisa.”