Para amenizar os transtornos durante o período de chuvas, a Coordenadoria Municipal de Defesa Civil terá ajuda dos taxistas para identificar pontos de alagamentos, enchentes e problemas em Belo HorizonteA ideia, segundo o coordenador da Defesa Civil, coronel Alexandre Lucas Alves, é que os motoristas que circulam por toda a capital possam integrar o sistema de alerta, informando a situação das ruas em tempo realO projeto já foi aprovado pelo sindicado da categoria e está em fase final de elaboração
A rede de comunicação começa a funcionar em outubro, segundo o militarDiante de uma rua cheia, buracos na pista ou queda de árvores, os taxistas serão orientados a acionar sua central, que vai se reportar à Defesa CivilA informação será replicada à imprensa e divulgada pelo TwitterVoluntários do Núcleo de Alerta de Chuvas também receberão mensagens pelo celular.
“Dado o alerta, todos os órgãos começam a agirA informação oportuna do taxista vai aumentar a nossa rapidez da resposta e permitir adoção de medidas preventivasSe houver um afundamento na pista, por exemplo, o alerta dado pelo taxista vai permitir que a gente mude o trânsito, interdite a via e desvie o fluxoA sociedade, sabendo do que está ocorrendo, também poderá se proteger melhor”, afirma o coordenador da Defesa Civil
Segundo o coronel Lucas, há 45 pontos de alagamentos na cidade, como a Avenida Bernardo Vasconcelos e o longo trecho da Avenida Tereza Cristina, entre os bairros Coração Eucarístico e Barreiro
Belo Horizonte, porém, não tem mapeamento de áreas de risco na “cidade formal”Apenas as ocupações irregulares em vilas e favelas são considerados pontos vulneráveisA prefeitura entende que construções de mansões e edifícios em encostas respeitam as ações de estrutura e engenharia e passaram pela fiscalização adequada para a retirada do Habite-seSegundo o coordenador da Defesa Civil, há casos pontuais que são monitorados pelas regionais
Mapeamento
Enquanto a chuva não vem, a Companhia Urbanizadora e de Habitação de Belo Horizonte (Urbel) também tenta atualizar o mapeamento de áreas de risco em vilas e favelas, estudo feito em 2009O diagnóstico de risco geológico da época indicava que havia 3.789 edificações em áreas de risco alto e muito alto
Em Belo Horizonte, há 208 vilas, favelas e conjuntos habitacionais populares, que representam 5% do territórioDe 1º de abril até 14 de setembro, técnicos da Urbel vistoriaram 1.256 moradias em áreas de riscoNeste período, 66 famílias foram removidasA região com mais áreas de risco é a Leste, com 13 remoções definitivas, a maioria da Vila Fazendinha e TaquarilA Nordeste está em segundo lugar, com 10 remoções, principalmente na Vila Beira LinhaUma nova operação pente fino está prevista para 1º de outubro, com colocação de faixas e cartazes e uso de motos com som para divulgar mensagens e dicas de prevenção nos aglomerados
Professor do Instituto de Geociências da UFMG e orientador de um trabalho de mestrado sobre áreas de risco, Ricardo Alexandrino diz que a situação crítica das encostas e morros é a mesma de 10 anos atrás“Muito pouco foi feito neste período e risco sempre há, principalmente por causa da ocupação irregularNas regiões mais ricas, as fundações são mais adequadas e dificilmente se observa deslizamentosO crescimento urbano joga a população de baixa renda para as encostas, próximo às áreas mais centraisA falta de fiscalização é a grande responsável pelas tragédias do meio urbano”, avalia ele.