Jornal Estado de Minas

Taxistas vão ajudar a vigiar enchentes em BH

Defesa Civil vai contar com alerta de motoristas para identificar pontos de inundações. Urbel realiza operação pente-fino para prevenir desmoronamentos em áreas de risco

Paula Sarapu

A região de Belo Horizonte com mais áreas de risco é a Leste, onde fica o Taquaril, local constante de visitas de fiscais da prefeitura - Foto: Renato Weil/EM/D.A Press. Brasil

Para amenizar os transtornos durante o período de chuvas, a Coordenadoria Municipal de Defesa Civil terá ajuda dos taxistas para identificar pontos de alagamentos, enchentes e problemas em Belo HorizonteA ideia, segundo o coordenador da Defesa Civil, coronel Alexandre Lucas Alves, é que os motoristas que circulam por toda a capital possam integrar o sistema de alerta, informando a situação das ruas em tempo realO projeto já foi aprovado pelo sindicado da categoria e está em fase final de elaboração

A rede de comunicação começa a funcionar em outubro, segundo o militarDiante de uma rua cheia, buracos na pista ou queda de árvores, os taxistas serão orientados a acionar sua central, que vai se reportar à Defesa CivilA informação será replicada à imprensa e divulgada pelo TwitterVoluntários do Núcleo de Alerta de Chuvas também receberão mensagens pelo celular.

“Dado o alerta, todos os órgãos começam a agirA informação oportuna do taxista vai aumentar a nossa rapidez da resposta e permitir adoção de medidas preventivasSe houver um afundamento na pista, por exemplo, o alerta dado pelo taxista vai permitir que a gente mude o trânsito, interdite a via e desvie o fluxoA sociedade, sabendo do que está ocorrendo, também poderá se proteger melhor”, afirma o coordenador da Defesa Civil

Segundo o coronel Lucas, há 45 pontos de alagamentos na cidade, como a Avenida Bernardo Vasconcelos e o longo trecho da Avenida Tereza Cristina, entre os bairros Coração Eucarístico e Barreiro

No Bairro Madre Gertrudes, 13 quarteirões inteiros costumam ficar inundadosTécnicos do órgão estão visitando todos os locais e identificando problemas e possíveis intervenções para minimizar o impacto das chuvas“Estamos mais preparados que no ano passado, mas tudo também depende da chuvaEm determinadas situações, não há sistema de drenagem que dê conta”, justifica

Belo Horizonte, porém, não tem mapeamento de áreas de risco na “cidade formal”Apenas as ocupações irregulares em vilas e favelas são considerados pontos vulneráveisA prefeitura entende que construções de mansões e edifícios em encostas respeitam as ações de estrutura e engenharia e passaram pela fiscalização adequada para a retirada do Habite-seSegundo o coordenador da Defesa Civil, há casos pontuais que são monitorados pelas regionais

Mapeamento

Enquanto a chuva não vem, a Companhia Urbanizadora e de Habitação de Belo Horizonte (Urbel) também tenta atualizar o mapeamento de áreas de risco em vilas e favelas, estudo feito em 2009O diagnóstico de risco geológico da época indicava que havia 3.789 edificações em áreas de risco alto e muito alto
Isso representa uma queda de 64% em relação a 2004, ano do estudo, quando 10.500 edificações estavam nessas condiçõesOs riscos de deslizamento de encostas foi avaliado em 211 comunidades e havia chances de desmoronamento em 163 (em 111 delas foi registrada situação de risco alto e muito alto)

Em Belo Horizonte, há 208 vilas, favelas e conjuntos habitacionais populares, que representam 5% do territórioDe 1º de abril até 14 de setembro, técnicos da Urbel vistoriaram 1.256 moradias em áreas de riscoNeste período, 66 famílias foram removidasA região com mais áreas de risco é a Leste, com 13 remoções definitivas, a maioria da Vila Fazendinha e TaquarilA Nordeste está em segundo lugar, com 10 remoções, principalmente na Vila Beira LinhaUma nova operação pente fino está prevista para 1º de outubro, com colocação de faixas e cartazes e uso de motos com som para divulgar mensagens e dicas de prevenção nos aglomerados

Professor do Instituto de Geociências da UFMG e orientador de um trabalho de mestrado sobre áreas de risco, Ricardo Alexandrino diz que a situação crítica das encostas e morros é a mesma de 10 anos atrás“Muito pouco foi feito neste período e risco sempre há, principalmente por causa da ocupação irregularNas regiões mais ricas, as fundações são mais adequadas e dificilmente se observa deslizamentosO crescimento urbano joga a população de baixa renda para as encostas, próximo às áreas mais centraisA falta de fiscalização é a grande responsável pelas tragédias do meio urbano”, avalia ele.