O líder do Bando da Degola, Frederico Flores, vai a júri popular. Ele foi pronunciado nesta sexta-feira, pelo juiz sumariante do II Tribunal do Júri de Belo Horizonte, por homicídio qualificado, sequestro e cárcere privado, extorsão, ocultação de cadáver e formação de quadrilha. Flores é acusado de torturar, assassinar e decapitar os empresários Fabiano Ferreira Moura, de 36 anos, e Rayder Santos Rodrigues, de 39, em abril de 2010 num apartamento no Bairro Sion, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. O julgamento ainda não tem data marcada.
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Em março deste ano, Frederico Flores passou por exames de sanidade mental no Instituto Médico Legal (IML). Os médicos diagnosticaram Frederico como um agente semi-imputável, o que significa que o réu, acusado de ser o mentor da trama e dos assassinatos, não é inteiramente capaz de compreender o caráter ilícito e a gravidade dos crimes.
O laudo também mostrou que o líder do bando da Degola, usou maconha no dia do exame quando já estava na Penitenciária Nelson Hungria
Entenda o caso
7 de abril de 2010
O garçom norte-americano Adrian Gabriel Grigorcea leva o genro Rayder Rodrigues até o apartamento de Frederico Costa Flores Carvalho, no Bairro Sion. Lá, o dono do imóvel em companhia de dois supostos policiais, armados, teriam amarrado, ameaçado e torturado Rayder para conseguir informações sobre contas bancárias de suas lojas, a fim de conseguir dinheiro da vítima
8 de abril
No segundo dia, além de um dos policiais e de Frederico, um advogado e uma médica também estavam no apartamento e, à frente do computador, Rayder era obrigado a conseguir mais dinheiro com o sócio, Fabiano Ferreira Moura, por meio de um programa de mensagens e de um contato chamado Márcio Henrique Macedo de Paula.
9 de abril
Rayder foi obrigado a sacar R$ 6 mil num banco e R$ 22 mil em outro, entregues a Frederico. No mesmo dia, seu sócio Fabiano foi levado ao apartamento e obrigado a levar a documentação de um automóvel, o que não foi feito. Os dois policiais então o teriam levado a um quarto, apagado a luz e o enforcado. Rayder teria sido drogado e Frederico o teria esfaqueado várias. Os dois tiveram seus dedos e cabeças cortados e enrolados em lonas
10 de abril
Os corpos foram jogados numa estrada que liga a BR-040 à Fazenda Rio de Peixe, em Nova Lima, na Grande BH. Os autores teriam lavado os carros e o apartamento, onde foi feito um churrasco. À tarde, seguranças de uma mineradora encontraram os corpos carbonizados.
12 de abril
Pela manhã, ao chegar no apartamento de Frederico, Adrian foi obrigado sacar todo o dinheiro que tinha sido transferido para sua conta dias antes, o que totalizaria cerca de R$ 150 mil. Mas, na agência, conseguiu retirar apenas R$ 6,5 mil e fez programação para sacar R$ 70 mil no dia seguinte. Ao sair, teria sido obrigado por Frederico a avisar onde estava de hora em hora.
13 de abril
De madrugada, Márcio Henrique Macedo de Paula e Christian Ribeiro de Oliveira se encontraram com Adrian, que confessou participação nos crimes e decidiu fazer denúncia com medo de ser também morto. Pela manhã, a PM montou um operação para prisão, em flagrante, de quatro suspeitos.