Conforme publicou o EM no domingo, a promotora provincial de Cumba, Mariela Gurreonero, abriu investigação contra Jesús Sánchez e Juan Zorrilla Bravo, este um líder comunitário que já participou de manifestações contra hidrelétricas na regiãoEm uma delas, cinco funcionários da empresa que faz estudos sobre hidrelétrica foram expulsos de uma cidade próxima à zona na qual os brasileiros morreramA promotora decidiu investigá-los com base em informações prestadas à polícia pelos dois engenheiros peruanos que acompanharam Mário Bittencourt e Mário Guedes no trabalho de topografiaZorrilla teria confundido peruanos que realizavam a busca aos brasileirosSánchez, dono de uma cabana no início da estrada, teria oferecido água ao grupo no começo da caminhadaPelo menos Mário Bittencourt, apontam os depoimentos, tomou imediatamente sua água.
“O Itamaraty não se manifestou, não soltou nota, não se sensibilizouParece que estão ignorando que dois brasileiros, profissionais de alto nível foram mortos misteriosamente em um país estrangeiroDuas famílias estão despedaçadas e ninguém dá importância”, desabafou Liliana Guedes, 57 anos, esposa de Mário Guedes, que falou ontem pela primeira vez sobre o casoMário Guedes era aguardado na quinta-feira em Uberlândia, para o noivado da filha médica Júlia GuedesNa sexta-feira, embarcaria de férias com a mulher para a Europa.
Depois de saber mais detalhes da investigação, Liliana Guedes diz não entender por que o marido e Mário Bittencourt foram mandados a pé, sem escolta, pela Leme Engenharia para uma região de conflitos no Peru, com resistência à instalação de usinas, com dezenas de mortos em confrontos com a polícia e expulsão de trabalhadores
Sem segurança
“Faltou proteção policial, rádio-comunicadores, celulares e guiaPara nós, isso é negligência da Leme Engenharia, sem dúvida”, protestou o também engenheiro Felipe Ribeiro Bittencourt, de 29, sobrinho de Mário Bittencourt e porta-voz da famíliaFelipe, porém, diz que a família reconhece que a empresa tomou providências ao contratar advogado criminalista no Peru para acompanhar as investigações policiais e que deverá fazer o mesmo em Belo HorizonteA reportagem do Estado de Minas tentou contato com a assessoria da Leme, mas até o fechamento desta edição, não havia obtido retorno.
Até tomarem conhecimento dos conflitos na região, as famílias dos profissionais contratados pela Leme haviam sido informados apenas de que o local havia sido palco de manifestação há três anosNada havia sido dito a Bittencourt nem a Guedes sobre o confronto ocorrido em 2009, em Bagua, região próxima a Pión, quando a desapropriação de terras indígenas terminou com 22 policiais mortos, alguns deles degoladosO episódio de 5 de junho daquele ano ficou conhecido como Baguazo e provocou à abertura de uma Comissão de Inquérito no Congresso peruano, comparável a uma CPI brasileira.
“A Leme não é uma pequena empresa de MinasEla pertence a um grupo multinacional (a franco-belga GDF Suez) que deveria ter como procedimento padrão fazer uma preparação anterior da comunidade e não simplesmente impor um projeto milionário, o que pode se tornar perigoso para os trabalhadores e até inviabilizar uma obra”, alerta o administrador Milton Bittencourt, de 33 anos, sobrinho de Mário BittencourtEle atua em projetos do tipo na área de responsabilidade social internacional da Petrobras, no Rio de Janeiro (RJ).
Dúvidas
Os corpos dos brasileiros só foram encontrados na manhã de quarta-feira, no dia 27, a 100 metros da estrada principal
Promessa de empenho
Em entrevista ao Estado de Minas na quinta-feira em Lima, o embaixador do Brasil no Peru, Carlos Alfredo Lazary Teixeira, lamentou as mortes dos dois brasileiros e garantiu que a embaixada acompanha o caso de pertoOntem, um diplomata brasileiro garantiu que o governo fará tudo o que estiver a seu alcance para ajudar a esclarecer as mortes de Mário Guedes e Mário Bittencourt e prestará todo o auxílio necessário às famílias.