Jornal Estado de Minas

Família de professor morto em faculdade contesta absolvição do assassino

Landercy Hemerson

A família do professor Kássio Vinícius Castro Gomes, de 39 anos, assassinado a facadas em 7 de dezembro por um aluno no Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix, no Bairro de Lourdes, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, fez nessa quinta-feira um desabafo em relação à absolvição do estudante A

LC., de 24, autor do crimeNuma carta aberta, os familiares sugerem o aprofundamento da discussão sobre a violência e a impunidadeE afirmam que vão acompanhar a aplicação da medida de internação por três anos do assassino, que foi considerado inimputável, ou seja, não pode ser responsabilizado pelo seu atoNo documento, eles ainda criticam a omissão dos pais do aluno, que não trataram da doença do filho.

Além do desabafo, os parentes de Kássio Gomes lançaram o site www.professorkassiovinicius.com, que vai além de uma homenagem ao educadorNo espaço, a discussão sobre o combate à violência nas escolas ganha espaço por meio de um fórum e informações sobre iniciativas nesse sentidoEntre outros, o site destaca a campanha “Paz nas Escolas”, promovida pelo Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro-MG), que criou o disque denúncia 0800 770 3035, para as vítimas da violência

A família do professor disse que recebeu com surpresa a decisão da Justiça, que considerou inimputável o assassino confessoO juiz do 2º Tribunal do Júri teve por base o laudo de sanidade mental do acusado, que comprovou que ele sofre de esquizofreniaO Ministério Público (MP) também pediu a absolvição do réu e a internação, por um período mínimo de três anos, conforme o artigo 96 do Código Penal Brasileiro


“Mediante esta determinação da Justiça, gostaríamos de manifestar nossa tristeza e indignação em relação ao desfecho do casoNós perdemos um filho, pai, marido, irmão, amigo, um pesquisador apaixonado por sua profissão, exercendo-a sempre com ética e competência, acreditando no poder transformador de uma prática pedagógicaOs filhos pequenos de Kássio – dois meninos, de 6 e 5 anos – foram privados da convivência paterna, pois um outro pai e outra mãe foram omissos em relação à doença de seu filho”, destacaram os parentes do professor

Histórico de agressão

Segundo eles, de acordo com os documentos do processo criminal, AL Cjá apresentava histórico de agressão contra professores e seus próprios familiares“O jovem, que poderia estar hoje passando por um tratamento adequado que possibilitasse ter um convívio social, é condenado a cumprir medida de segurança em manicômio judiciário”, diz o desabafo, que acrescenta: “O estudante universitário, matriculado no Instituto Metodista Izabela Hendrix, pôs em risco todas as pessoas que ali trabalhavam e estudavam”.

Os parentes de Kássio também criticaram as justificativas do assassino para o crime, de que vinha sendo perseguido pelo professorEles lembraram da dedicação que o educador tinha por seu trabalho e como era carinhosamente chamado de “mestre” por seus alunos“Não nos furtaremos do nosso papel de cidadãos em exigir que a sentença seja cumprida, não nos contentaremos com qualquer subterfúgio que desvie o Estado de sua responsabilidade de manter o réu em um manicômio judiciário
Por acreditar na Justiça e nas instituições, aguardamos todos os tramites legais.”

 

Memória / Agressão antes da aula

O assassinato do professor Kássio Vinicius Castro Gomes ocorreu por volta das 19h de 7 de dezembro de 2010, pouco antes do primeiro horário do turno da noite do Centro Universitário Metodista Izabela HendrixKássio foi surpreendido pelo aluno ALCnum dos corredores e não teve chances de defesaO agressor o atacou com uma faca, atingindo-o no peitoA cena foi registrada pelas câmeras do sistema de segurançaO estudante fugiu e foi preso na madrugada do dia seguinte, em casa, no Bairro União, Região Nordeste da capital