Jornal Estado de Minas

Moradores temem mudanças de ruas na Região Noroeste da capital

Famílias dos bairros Carlos Prates e Padre Eustáquio, na Região Noroeste, acreditam que a reclassificação de seis ruas pode ampliar problemas de trânsito, poluição e criminalidade

Valquiria Lopes
A estudante Carolina Mara Cunha vê no projeto impactos negativos para o trânsito da Rua Castigliano - Foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press

Para quem convive com a possibilidade de ver o perfil residencial da rua onde mora ser alterado com as mudanças do projeto de classificação de logradouros da Prefeitura de Belo Horizonte, os impactos devem ser avaliados pelo poder público antes da tomada de qualquer decisãoNos bairros Carlos Prates e Padre Eustáquio, onde seis ruas estão no bojo das alterações, moradores que têm empresas como vizinhos acham que os reflexos negativos já existentes podem ser ainda maiores

“Atividades simples como estacionar na porta de casa ou ter o serviço de coleta de lixo já são afetadas por causa do trânsito intenso de carga e descarga, afirma a costureira Neusa Maria dos Santos, de 51 anos, que mora na Rua Espinosa, no Carlos PratesA via, que poderá passar de residencial para uso misto, abriga empreendimentos comerciaisNa mesma região, também podem ter a classificação alteradas trechos das ruas Monte Santo, Prados e Frei OrlandoNo Padre Eustáquio, as ruas Castigliano e José do Patrocínio estão na lista

Oposição

Entre as reclamações da comunidade há relatos de poluição sonora e aumento da criminalidade, com ocorrência de pequenos furtos, arrombamento e roubo de veículos“Moro aqui há 15 anos e percebo claramente como a rua mudou com a atividade comercial da Rua Padre EustáquioSe abrirem para mais comércio aqui, o trânsito, já complicado, vai ficar impossível e os casos de roubo de carro podem aumentar”, alerta a estudante Carolina Mara de Paiva Cunha, de 22, da Rua Castigliano

Como argumento para barrar a proposta da administração municipal, Carolina alega que as residências já são bem atendidas pelo comércio“Além disso, o bairro é tipicamente familiar e tem muitos idosos, que podem sofrer com os impactos negativos do avanço comercial”, ressalta


A notícia da possível mudança de classificação da Rua Castigliano foi bem recebida pela empresária Janaína Avendanha, de 42Ao defender a atividade comercial, ela diz que seria ótimo se ampliassem o número de lojas“Isso movimentaria a rua, que perde com a concentração das compras na Rua Padre Eustáquio”, disse

O proprietário de duas fábricas de móveis na Rua Espinosa, Arcanjo Carlos Pimenta, de 46, também vê benefícios com a proposta “Minhas empresas estão instaladas aqui há mais de 10 anos e a rua sempre teve vocação mais comercial do que residencialA mudança seria positiva, porque facilitaria a aquisição de um alvará únicoHoje preciso de dois porque a classificação da rua traz limitações em relação ao tamanho da área construída e ao tipo de atividade”, explica Pimenta

Mas, assim como as empresas dele, outras firmas instaladas nas ruas Espinosa e Prados, na mesma região, incomodam o servidor público Odergues Costa Miranda, de 41“Já fiquei sem coleta de lixo porque o caminhão não teve como passarTambém fica difícil chegar de carro em casa por causa de tantos caminhões carregando e descarregando mercadorias
Todos os moradores do entorno têm esse tipo de queixa”, disse

Na Rua Frei Orlando, no Bairro Carlos Prates, a disputa por vagas de estacionamento já gerou até constrangimentoSegundo o estudante de medicina Júlio Cesar Correa Martins, de 28, motoristas de transporte escolar e caminhoneiros se desentenderam por desrespeito à sinalização que reserva vagas para os escolares“Com tantos caminhões, vans e carros de pais que buscam alunos na escola, que fica na porta de minha casa, às vezes não tenho como entrar na garagem e preciso estacionar na rua ao lado”, afirmou.