Um misto de imprudência de motoristas e de precariedade em sinalização de alerta transformou os 1.666 cruzamentos da malha ferroviária mineira em travessias de alto risco. Uma semana depois do acidente que matou três pessoas e feriu mais de 30 na cidade de Entre Rios de Minas, na Região Central, onde um ônibus escolar foi atingido por um trem de minério quando cruzava os trilhos, especialistas sustentam que a simples presença da placa cruz de Santo André à beira da ferrovia indica perigo. Mas, como a responsabilidade pela instalação de itens de segurança – cancelas, sinais eletrônicos e placas – é do município, muitas vezes essa omissão custa a vida de inocentes. As concessionárias alegam que só o trabalho conjunto entre a empresa, o poder público e com quem está por trás dos volantes pode evitar esse tipo de acidente.
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“O trem não para imediatamente. Mesmo acionando o freio de emergência, ele ainda leva mil metros para parar. Se o motorista tiver um pouco mais de prudência e cuidado, se seguir a orientação das placas de cruz de Santo André e parar, olhar e escutar, não haverá mais acidentes. Posso afirmar que em todos os casos que tivemos e investigamos rigorosamente os maquinistas avistaram os veículos e cumpriram os procedimentos, mas não conseguiram evitar os acidentes por imprudência dos motoristas em 100% dos casos”, sustenta o gerente de Segurança Operacional da FCA, Wellington Amaral.
O gerente de Concessão e Arrendamento da MRS Logística, concessionária da ferrovia onde houve o acidente com o ônibus escolar, também credita ao “motorista imprudente” a causa para os choques. Sérgio Carrato lembra que as composições são longas e pesadas – cada locomotiva tem 200 toneladas – e diz que neste ano foram cinco acidentes desse tipo. Somente em Entre Rios de Minas houve mortos.
“Eles (motoristas) não respeitam a sinalização e insistem em passar antes do trem. Pelo que já apuramos, no caso do ônibus escolar, infelizmente o motorista faleceu, mas ele deveria ter tido mais cautela na transposição da via. Ele conhecia a passagem de nível, trafegava ali havia cinco anos, e pode ter se guiado pela autoconfiança. É comum neblina e falta de visibilidade ao longo do percurso”, argumenta.