Jornal Estado de Minas

Marchas das Vagagundas e da Liberdade têm tumulto entre manifestantes e polícia em BH

Márcia Maria Cruz

Em Belo Horizonte, o evento partiu de estudantes e foi apoiado por organizações de proteção às mulheres e movimentos feministas - Foto: Juliana Flister/Esp. EM/D.A Press

Um tumulto foi registrado durante o trajeto da Marcha da Liberdade e da Marcha das Vagabundas, neste sábado, em Belo HorizonteAlguns participantes entraram em confronto com integrantes da Guarda Civil e policiais militares que estavam em frente à prefeitura da capital mineiraOs guardas usaram cassetetes e spray de pimenta para dispersar os manifestantes mais exaltadosNão houve registro de feridos ou prisões.

"Alguns manifestantes ameaçaram invadir, mas foi um caso isolado", afirmou Victor do Carmo, um dos organizadores do eventoIntegrante do movimento pela descriminalização da maconha, Victor disse que ele e outros representantes da chamada "marcha da maconha" se retiraram quando alguns manifestantes fecharam uma via de acesso à Praça da Liberdade - ponto final da passeataO trânsito na região ficou bastante complicado.

Segundo a PM, cerca de 800 pessoas participaram do ato na capital mineiraOs organizadores falaram em 1,3 mil manifestantes.

Combate à violência

As centenas de mulheres participantes da Marcha das Vagabunda seguiram o exemplo de outras cidades do Brasil e do exteriorCom saias curtas, shorts, vestidos e batons vermelhos, elas chamaram atenção para o fato de que, muitas vezes, as mulheres são estupradas e violentadas e, embora sejam vítimas, são acusadas de terem provocado a agressão sexual“A marcha é para mostrar que meu decote e vestido curto não são motivos para me estupraremO corpo é meuEncosta nele quem eu quero”, disse a estudante de ciências sociais Nathalia Ferreira, de 18 anos.

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A jovem sentiu-se desrepeitada quando, em uma festa, um garoto tocou seu corpo sem sua permissão
“Falei para as pessoas, mas ninguém me deu atençãoAcharam que estava exagerando por reclamar.” A Marcha das Vagabundas, também chamada de Marcha das Vadias, começou em Toronto, no Canadá, e internacionalizou-seAs canadenses voltaram-se contra a fala de um policial que disse que as mulheres deveriam evitar roupas de vagabundas para não serem estupradasNo Brasil, o evento já ocorreu em São Paulo, Brasília e RecifeEm Belo Horizonte, cerca de 1 mil manifestantes, entre homens e mulheres, participaram do protesto auto-declarado como “manifesto festivo.” A Polícia Militar informou que, como não acompanhou o evento, não tinha números oficiais sobre a quantidade de manifestanes.

Com batucada, cartazes coloridos, os manifestantes se concentraram na praça da Estação, seguiram pelo Centro em direção à Praça da Liberdade, onde se juntou à Marcha da Liberdade, que defende a discriminalização do uso da maconhaNa quarta-feira, os oito ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) foram unânimes em liberar as manifestações pela legalização das drogas.

Marcha de Liberdade

Participantes da chamada Marcha da Liberdade, em Belo Horizonte, aplaudiram neste sábado a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que liberou as manifestações públicas em favor da maconha"A marcha da liberdade surgiu da repressão à marcha da maconha e da violência em São PauloÉ uma forma de estarmos comemorando a vitória na quarta-feira (quando ocorreu a decisão do STF)Estamos comemorando em grande estilo o nosso direito de expressar", afirmou o gerente administrativo, Victor do Carmo, 30 anos, um dos organizadores da manifestação.

"O direito de liberdade da manifestação do pensamento é muito claro na Constituição e que o STF fez foi ter uma interpretação até muito literal do texto constitucionalO que espanta é que os juízes tenham proibido em algum momento essa marcha da maconha
Não existe censura prévia no nosso ordenamento jurídico", destacou Túlio Vianna, professor de Direito Penal da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
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