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Estado de Minas

Surgem outras vítimas de médico pedófilo no Vale do Aço


postado em 17/06/2011 06:00 / atualizado em 17/06/2011 06:16


Mais três garotos supostamente vítimas de abuso sexual – um deles adolescente, de 14 anos – foram identificados pela Polícia Civil de São Domingos do Prata, no Vale do Aço, como alvos de um médico da cidade, de 55 anos. Ele foi preso na quarta-feira, acusado de pedofilia e tráfico de drogas. Outros três adultos e um menor, com idades entre 14 e 21 anos, já tinham prestado depoimento no inquérito policial e confessam que recebiam do médico até R$ 100 e drogas, como maconha, cocaína e crack, em troca de sexo. Alguns contaram que há quatro anos – quando eram menores – mantinham relações com o homem detido. Outra denúncia é de que o suspeito misturava antidepressivos na cocaína dada aos garotos. A causa será apurada.

Nessa quinta-feira, o médico passou a primeira noite na prisão, numa cela individual da cadeia da cidade, por ter curso superior e também por questão de segurança. Na chamada Lei da Cela, um código informal dos criminosos, crimes sexuais contra mulheres e menores muitas vezes resultam em morte do preso. Em depoimento, o homem nega as acusações, admitindo ser bissexual e viciado em drogas. Na casa dele foram apreendidos maconha, filmes pornográficos e acessórios sexuais.

O suposto pedófilo tem 31 anos de profissão, é solteiro, sem filhos e de família tradicional em São Domingos do Prata. Ele mora no município e trabalha como clínico geral nas cidades vizinhas de Rio Piracicaba, Bela Vista de Minas e Nova Era. “Temos informações de que ele fez mais três vítimas de 13, 14 e 15 anos em Ipatinga, a 100 quilômetros de São Domingos do Prata”, afirmou o investigador Rodrigo Ferreira Ribeiro. Segundo o policial, algumas das localizadas nessa quinta-feira não querem se expor, preferem não registrar queixa na polícia e manter o sigilo.

São Domingos do Prata tem 18 mil habitantes e a prisão é o principal assunto. “A vida inteira ele teve fama de pedófilo. Em 2009, quando trabalhou na cidade, todo mundo sabia disso e ficou sob alerta”, disse o investigador.

Segundo Ribeiro, o acusado sempre saía de carro para abordar garotos nas ruas, oferecendo drogas e dinheiro. Há um vídeo, conforme as apurações, mostrando a ação na porta de uma escola. “Os jovens abusados são de famílias humildes e aceitavam acompanhá-lo em matagais e motéis de cidades vizinhas”, descreveu o policial. As investigações começaram há 90 dias, a partir de denúncias. Quarta-feira, o juiz Henrique Mendonça Schvartzman expediu mandado de busca e apreensão na casa dele. O médico pode ser indiciado por tráfico de drogas e pedofilia.

SAIBA MAIS

Nos primeiros quatro meses deste ano, o Disque Direitos Humanos recebeu 822 denúncias de violência e abuso sexual contra menores em Minas, pelo telefone 0800 031 11 19. As ligações são gratuitas, sigilosas e a pessoa não precisa se identificar. No ano passado, foram mais de 3 mil registros. Os casos são encaminhados aos conselhos tutelares e promotorias da Infância e da Juventude para investigação.

Na capital, foram 2.881 denúncias de violência sexual contra crianças neste ano, das quais 1.602 praticadas dentro de casa pelo pai, padrasto ou pessoa ligada à família da vítima.

Denúncias também podem ser feitas pelo Disque 100, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Em 2010, houve queixas de 2.798 municípios, dos quais 126 de Minas, sendo que a Região Nordeste apresenta o maior número de municípios (34%), seguida pela Região Sudeste (30%), Região Sul (18%), Centro-Oeste (10%) e Norte (8%). No ranking das denúncias por região, a Nordeste lidera com 38%, seguida pela Sudeste (28%), Sul (14%), Centro-Oeste (10) e Norte (9%).

Levantamento dos pontos de exploração sexual feito nas estradas de todo o país, pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), identificou 819 locais onde os crimes são mais frequentes, sendo 480 na Região Sudeste e 290 em Minas Gerais, estado com maior malha rodoviária.


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